São Valentim de Roma
Sacerdote romano sob Cláudio II, Valentim foi preso por sua fé radiante. Após devolver a visão à filha do juiz Astério e converter toda a sua casa, ele foi açoitado e decapitado em 268. É tradicionalmente invocado pelos noivos e para a saúde do corpo.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
4 seçãos de leitura
SÃO VALENTIM, SACERDOTE DE ROMA E MÁRTIR
Prisão e interrogatório imperial
O sacerdote Valentim é preso sob o imperador Cláudio II e recusa-se a abjurar sua fé, defendendo o monoteísmo cristão diante das divindades pagãs.
Vita carnis, sanitas cordis. A saúde do coração é a vida do corpo. Proc., XIV, 30.
A virtude de São V alentim, sacerdote, era tão resplandecente, e sua reputação tão grande na cidade de Roma, que chegou ao conhecimento do im perador Cláudio II, que o mandou prender e, após tê-lo mantido dois dias na prisão, carregado de ferros, fê-lo trazer diante de seu tribunal para interrogá-lo. Primeiro, disse-lhe, com um tom de voz bastante solícito: «Por que, Valentim, não queres desfrutar de nossa amizade, e por que queres ser amigo de nossos inimigos?» Mas Valentim respondeu generosamente: «Senhor, se soubésseis o dom de Deus, seríeis feliz e vosso império também; rejeitaríeis o culto que prestais aos espíritos imundos e aos seus ídolos que adorais, e saberíeis que há apenas um Deus, que criou o céu e a terra, e que Jesus Cristo é seu Filho único». Um dos juízes, tomando a palavra, perguntou ao Mártir o que ele pensava dos deuses Júpiter e Mercúrio. «Que foram uns miseráveis», replicou Valentim, «e que passaram toda a sua vida nas volúpias e nos prazeres do corpo». Diante disso, aquele que o interrogara exclamou que Valentim havia blasfemado contra os deuses e contra os governadores da república. Contudo, o Santo entretinha o imperador, que o ouvia de bom grado e que parecia ter vontade de ser instruído na verdadeira religião; e ele o exortava a fazer penitência pelo sangue dos cristãos que havia derramado, dizendo-lhe para crer em Jesus Cristo e ser batizado, porque esse seria para ele um meio de se salvar, de aumentar seu império e de obter grandes vitórias contra seus inimigos. O imperador, começando já a se deixar persuadir, disse aos que o rodeavam: «Escutai a santa doutrina que este homem nos ensina». Mas o prefeito da cidade, chamado Calpúrnio, exclamou imediatamente: «Vedes como ele seduz nosso príncipe! Abandonaremo s a religi ão que nossos pais nos ensinaram?»
O milagre da luz
Entregue ao juiz Astérius, Valentim cura sua filha adotiva da cegueira, levando à conversão e ao batismo de toda a casa.
Cláudio, temendo que estas palavras pudessem suscitar algum distúrbio ou sedição na cidade, abandonou o Mártir ao prefeito, que o colocou imediatamente nas mãos do juiz Astéri us, para ser examinado e castigado como um sacrílego. Este último mandou primeiro conduzir o prisioneiro à sua casa. Quando Valentim entrou, elevou o seu coração ao céu e rezou a Deus para que Lhe aprouvesse iluminar aqueles que caminhavam nas trevas do paganismo, fazendo-os conhecer Jesus Cristo, a verdadeira luz do mundo. Astérius, que ouvia tudo aquilo, disse a Valentim: «Admiro muito a tua prudência; mas como podes dizer que Jesus Cristo é a verdadeira luz?» — «Ele não é apenas», disse Valentim, «a verdadeira luz, mas a única luz que ilumina todo homem que vem a este mundo». — «Se é assim», disse Astérius, «farei logo a prova: tenho aqui uma pequena filha adotiva que está cega há dois anos; se puderes curá-la e devolver-lhe a vista, acreditarei que Jesus Cristo é a luz e que Ele é Deus, e farei tudo o que quiseres».
A jovem foi então levada ao Mártir, que, colocando a mão sobre os seus olhos, fez esta oração: «Senhor Jesus Cristo, que sois a verdadeira luz, iluminai a vossa serva». A estas palavras, ela recebeu imediatamente a vista, e Astérius e a sua esposa, lançando-se aos pés do seu benfeitor, suplicaram-lhe que lhes dissesse o que deviam fazer para se salvarem, uma vez que tinham obtido, pelo seu favor, o conhecimento de Jesus Cristo. O Santo ordenou-lhes que quebrassem todos os ídolos que possuíam, que jejuassem três dias, que perdoassem a todos aqueles que os tinham ofendido e, finalmente, que se batizassem, assegurando-lhes que, por este meio, seriam salvos. Astérius fez tudo o que lhe tinha sido ordenado, libertou os cristãos que mantinha prisioneiros e foi batizado com toda a sua família, que era composta por quarenta e seis pessoas.
Martírio e culto romano
Após o massacre dos novos convertidos, Valentim é espancado e decapitado em 268 na Via Flamínia, onde várias igrejas lhe seriam dedicadas.
O imperador, avisado dessa mudança, temeu alguma sedição em Roma e, por razão de Estado, mandou prender Astério e todos os que haviam sido batizados, e depois os fez executar por diversos tipos de tormentos. Quanto a Valentim, o pai e mestre desses bem-aventurados filhos e discípulos, após ter permanecido muito tempo em uma prisão estreita, foi espancado e golpeado com bastões nodosos; finalmente, no ano 268, em 14 de fevereiro, foi decapitado na Via Flamínia, onde, desde entã o, o Papa Joã o I mandou construir uma igreja sob sua invocação perto da Ponte Mílvia. Tendo esta igreja sido arruinada, o Papa Teodósio dedicou uma nova, da qual também não restam mais vestígios. A porta chamada hoje do Povo portava antigamente o nome do santo Mártir. Guarda-se a maior parte de suas relíquias na igreja de Santa Praxed es. As outras foram levadas para a França, para a igreja de São Pedro de Melun-sur- Seine, mas não se encontram mais lá hoje.
Herança litúrgica e patronatos
Reconhecido nos martirológios antigos, o santo tornou-se o padroeiro dos noivos e dos enfermos, associado a símbolos solares e primaveris.
São Valentim é nomeado, com a qualidade de ilustre Mártir, no Sacramentário de São Gre gório, no Miss al romano de Tommasi, nos diversos martirológios e calendários: os ingleses conservaram-no no seu.
São Valentim foi representado: 1° segurando uma espada e uma palma, símbolos do seu martírio; 2° curando a filha do juiz Astério. Esta circunstância da cura de uma jovem, e ainda mais o seu nome Valentim, que significa saúde e vigor, explica por que os noivos, os jovens a casar, aqueles que temem as investidas da peste, as pessoas, enfim, que estão sujeitas à epilepsia e aos desmaios, colocaram-se sob o seu patronato. Pretendia-se também que, sob certos climas, os pássaros se acasalavam para a bela estação próxima, no dia de São Valentim, como é aceito que em outros países mais frios eles se acasalam no dia de São José. O dia de São Valentim era célebre nos antigos calendários; numa época em que os deveres da vida civil se confundiam com os da vida religiosa, e em que não se podia obter um almanaque, como hoje, por alguns centavos, dava-se um pouco mais de trabalho para fixar os elementos do calendário: cada dia era marcado por um sinal que falava imediatamente aos olhos dos iniciados. É assim que o dia de São Valentim era marcado por um sol na mão do Santo, ou por uma forma de waffle: um sol, porque ele deveria retomar a sua força nesta época, que é aproximadamente a das Têmporas da primavera, e que as flores mais precoces (amendoeiras, aveleiras, etc.) começam a aparecer em uma parte da Europa; uma forma de waffle, para anunciar as alegrias do Carnaval.
São Valentim é o padroeiro de Tarascon , na Provença.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de São Valentim de Roma
Perguntas frequentes sobre São Valentim de Roma
Quem foi São Valentim de Roma?
Sacerdote romano sob Cláudio II, Valentim foi preso por sua fé radiante. Após devolver a visão à filha do juiz Astério e converter toda a sua casa, ele foi açoitado e decapitado em 268. É tradicionalmente invocado pelos noivos e para a saúde do corpo.
De que São Valentim de Roma é santo padroeiro?
Padroados de São Valentim de Roma: Tarascon, noivos e jovens a casar.
Para que se reza a São Valentim de Roma?
Reza-se a São Valentim de Roma por: peste, epilepsia e desmaios.
Como reconhecer São Valentim de Roma na arte cristã?
Na iconografia, São Valentim de Roma é reconhecível por: espada, palma, sol na mão e ferro de waffle.
Como São Valentim de Roma morreu?
São Valentim de Roma sofreu o martírio pela fé cristã (3.º século).
Quais milagres são atribuídos a São Valentim de Roma?
1 milagre são atribuídos a este santo, notadamente: Cura e Conversão.
Quais santos foram contemporâneos de São Valentim de Roma?
Entre seus contemporâneos figuram: Santo Irineu de Lyon, Santo Ausônio de Angoulême, São Firmino de Pamplona e São Baudílio.
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Prisão pelo imperador Cláudio II
- Interrogatório perante o tribunal imperial
- Cura milagrosa da filha adotiva do juiz Astérius
- Conversão e batismo de Astério e de sua família
- Suplício dos bastões nodosos
- Decapitação na Via Flamínia
Citações
-
Senhor, se soubésseis o dom de Deus, seríeis feliz e o vosso império também.
Resposta ao imperador Cláudio II -
Vita carnis, sanitas cordis
Provérbios, XIV, 30 (em epígrafe)