Daniel Comboni
Daniel Comboni (1831-1881) foi um bispo missionário italiano, fundador dos Missionários Combonianos e das Pias Mães da Nigrícia, vigário apostólico da África Central; morreu em Cartum e foi canonizado por João Paulo II em 2003.
Seus contemporâneos
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Biografia
Nascido em 1831 em Limone sul Garda em uma família de jardineiros pobres, Daniel Comboni foi formado em Verona, ordenado sacerdote em 1854 e orientou muito cedo sua vida para as missões na África.
Daniel Comboni nasceu em 15 de março de 1831 em Limone sul Garda, nas margens do Lago de Garda, na diocese de Brescia. Ele era o quarto dos oito filhos de Luigi Comboni e Domenica Pace, modestos jardineiros, e o único a chegar à idade adulta. Em 1843, a criança foi enviada para Verona, ao Instituto fundado pelo padre Nicola Mazza, onde recebeu uma sólida formação que incluía línguas e noções de medicina. Foi lá que amadureceu sua vocação missionária, voltada para a África. Comboni foi ordenado sacerdote em 31 de dezembro de 1854. Três anos depois, em 1857, partiu pela primeira vez para a África Central com um grupo de missionários do Instituto Mazza, chegando a Cartum, capital do Sudão, ao final de uma longa e extenuante viagem. Confrontado com a dureza do clima, a doença e a mortalidade que dizimavam os missionários europeus, teve de retornar à Itália, mas nunca renunciou ao seu projeto africano. Toda a sua existência seria, a partir de então, ordenada à evangelização da África, que prosseguiu até sua morte em Cartum, em 10 de outubro de 1881, aos cinquenta anos de idade, durante uma epidemia de cólera.
Vida e obra
Comboni elaborou em 1864 um Plano para a regeneração da África, resumido pelo lema "salvar a África pela África", e fundou dois institutos missionários, um masculino (1867) e um feminino (1872).
A obra de Daniel Comboni cristaliza-se em torno de uma intuição formulada em 1864, durante uma estadia em Roma: um "Plano para a regeneração da África", cujo lema permanece célebre, "salvar a África pela África" (Salvare l'Africa con l'Africa). Convencido de que a evangelização duradoura do continente passa pelos próprios africanos, formados como clero, catequistas e agentes pastorais, ele rompe com a ideia de uma missão puramente importada da Europa. Para levar adiante este projeto, percorre a Europa a fim de suscitar orações e apoios, e funda em Verona, no dia 1º de junho de 1867, o Instituto das Missões para a Nigrícia, na origem dos atuais Missionários Combonianos do Coração de Jesus. Em 1872, estabelece o ramo feminino, as Pias Mães da Nigrícia, que se tornaram as Irmãs Missionárias Combonianas. Em 1877, é nomeado vigário apostólico da África Central e recebe a consagração episcopal, o que lhe confere meios mais amplos para desenvolver as missões, nomeadamente em Cartum e no Cairo. Ao mesmo tempo em que conduz uma ação pastoral, educativa e sanitária, opõe-se à escravidão e trabalha pelo resgate e pela formação de crianças reduzidas à servidão.
Caminhada rumo à santidade
A santidade de Comboni enraíza-se numa caridade missionária incansável, numa devoção ao Coração de Jesus e numa fidelidade à África levada até ao dom total da sua vida.
A reputação de santidade de Daniel Comboni deve-se, antes de tudo, à radicalidade do seu compromisso missionário, vivido ao preço de privações, doenças e incompreensões repetidas. A sua espiritualidade é marcada por uma intensa devoção ao Coração de Jesus, que ele coloca no centro do instituto que funda, e por uma confiança perseverante na Providência, apesar dos fracassos e dos lutos que atingem as primeiras expedições. Comboni distingue-se pelo seu olhar sobre os povos africanos, que ele considera não como objetos de caridade, mas como os protagonistas da sua própria evangelização, numa época frequentemente marcada pelo desprezo colonial. A sua oposição à escravidão e a sua preocupação concreta com a dignidade das pessoas traduzem em atos a sua fé. Tendo permanecido em Cartum até ao fim, recusando abandonar o seu vicariato na provação, morre ali exausto em 1881. Esta fidelidade até ao fim, unida à amplitude da obra que deixa, alimenta uma veneração duradoura no seio dos institutos que fundou e conduziu à introdução da sua causa.
Beatificação e canonização
Beatificado por João Paulo II em 17 de março de 1996, Daniel Comboni foi canonizado pelo mesmo papa em 5 de outubro de 2003; sua festa é celebrada em 10 de outubro.
A causa de Daniel Comboni culminou sob o pontificado de João Paulo II. Ele foi beatificado em 17 de março de 1996, em Roma, após o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão; segundo as fontes, trata-se da cura de uma jovem brasileira. Sua canonização foi celebrada em 5 de outubro de 2003, na Praça de São Pedro, após a aprovação de um segundo milagre, apresentado como a cura de uma mulher sudanesa muçulmana, Lubna Abdel Aziz, tratada em um hospital mantido pelas irmãs combonianas em Cartum. Este episódio é frequentemente destacado devido ao seu alcance simbólico, evidenciando a influência de Comboni até no próprio país onde ele deu a sua vida. A festa litúrgica de São Daniel Comboni foi fixada em 10 de outubro, dia do aniversário de sua morte em Cartum. Sua canonização o inscreve entre as grandes figuras missionárias do século XIX reconhecidas pela Igreja.
Espiritualidade e herança
A herança de Comboni prolonga-se nos Missionários Combonianos e nas Irmãs Combonianas, presentes em vários continentes, e na sua visão de uma África evangelizada por si mesma.
A herança de Daniel Comboni perpetua-se principalmente através dos dois institutos que fundou: os Missionários Combonianos do Coração de Jesus e as Irmãs Missionárias Combonianas, aos quais se juntaram leigos que partilham o mesmo carisma. Estas famílias religiosas, nascidas para a África, estão hoje presentes em numerosos países em vários continentes e prosseguem uma ação missionária, educativa e social. O lema «salvar a África pela África» permanece o coração da sua espiritualidade e continua a inspirar uma abordagem da missão baseada na promoção das pessoas e das Igrejas locais. Comboni é particularmente honrado no Sudão e no Sudão do Sul, onde é venerado como uma figura fundadora da Igreja, bem como na sua região natal do Lago de Garda, em Limone sul Garda, que guarda a memória do seu santo mais ilustre. A sua figura é regularmente recordada pela Igreja como um modelo de zelo apostólico para o continente africano.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Daniel Comboni
Perguntas frequentes sobre Daniel Comboni
Quem foi Daniel Comboni?
Daniel Comboni (1831-1881) foi um bispo missionário italiano, fundador dos Missionários Combonianos e das Pias Mães da Nigrícia, vigário apostólico da África Central; morreu em Cartum e foi canonizado por João Paulo II em 2003.
Quais milagres são atribuídos a Daniel Comboni?
2 milagres são atribuídos a este santo, notadamente: Cura.
Quais santos foram contemporâneos de Daniel Comboni?
Entre seus contemporâneos figuram: Jesús María Echavarría Aguirre, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Narcisa de Jesús e Juan de Jesús López y González.
Quando Daniel Comboni morreu?
Daniel Comboni morreu por volta de 1881.
Quais são os outros nomes de Daniel Comboni?
Outras formas do nome: Daniele Comboni.
Quem são os familiares de Daniel Comboni?
Familiares de Daniel Comboni: Luigi Comboni (pai) e Domenica Pace (mãe).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1881
- Canonização em 2003 por João Paulo II
Citações
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Salvar a África pela África
https://www.causesanti.va/it/santi-e-beati/daniele-comboni.html