Quinto bispo de Verdun no século V, Pulcrônio é considerado o segundo fundador da cidade após as devastações dos hunos. Discípulo de São Lupo de Troyes, introduziu em Verdun o culto à Virgem Maria sob o título de Theotokos e fundou uma renomada escola episcopal. Faleceu em 470 após dezesseis anos de episcopado marcados por numerosos milagres e pela reconstrução de sua cidade.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
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SÃO PULCRÔNIO,
QUINTO BISPO (CONHECIDO) DE VERDUN
Origens e formação intelectual
Proveniente de uma ilustre família da Gália-Bélgica, Pulchrone é formado em Toul e Troyes por seu parente, São Loup, a quem acompanha até a Inglaterra.
Todos os historiadores que falaram de São Pulchrone viram nele o segundo fundador da igreja de Verdun, o rest aurador da cidade quase inteiramente destruída pelos bárbaros, o poderoso taumaturgo, o modelo das virtudes episcopais.
A família de São Pulchrone era uma das mais ilustres da Gália-Bélgica, não apenas pelo seu status, mas também pela sua piedade. As boas obras de seus pais foram tão agradáveis a Deus que Ele lhes revelou, por meio de um anjo, o nascimento de um filho que seria uma luz na casa do Senhor e que apaziguaria a ira do céu, irritado contra os homens.
Ele nasceu em Troyes, na Champagne, mas seu pai e sua mãe residiam frequentemente em Verdun; eles morreram alguns anos após o nascimento de seu filho, que foi levado para Toul, para a casa de São Loup, seu parente, onde re alizou seu s primeiros estudos. Tendo São Loup deixado o mundo para se retirar no célebre mosteiro de Lérins, ele deixou Pulchrone em Toul para continuar seus estudos ali. Ele o chamou para Troyes quando foi feito bispo daquela cidade, e o levou consigo em uma viagem que fez à Inglaterra para combater a heresia pelagiana.
Sob tal mestre, Pulchrone alcançou um grau muito elevado de ciência e virtude; ordenado sacerdote, cumpriu todas as suas funções com zelo e discrição.
O episcopado e a reconstrução de Verdun
Chamado pelos fiéis de Verdun após as devastações dos hunos, ele restaura a cidade, reúne a comunidade cristã e dirige-se a Roma para confirmar sua eleição.
A igreja de Troyes tinha então uma reputação tão grande que todas as cidades das Gálias desejavam ter como bispo um discípulo de São Lupo; foi isso que levou o clero e os fiéis de Verdun a pedir São Pulcrônio como pastor; a passagem dos hunos havia reduzido esta cidade a um estado deplorável. São Lupo viu o bem que havia a fazer e obrigou seu discípulo a atender às preces de uma diocese coberta de ruínas. Os fiéis estavam dispersos ao longe e viviam como podiam. O novo pastor reuniu as ovelhas dispersas pela tempestade. Suas primeiras instruções foram muito comoventes. Ele os exortava à paciência e à resignação, incentivando-os a apaziguar, pela prática das boas obras, a ira de Deus, irritado contra os pecados dos homens. Seu exemplo, ainda mais que seus discursos, inclinava seus corações à contrição. Os pagãos, vendo os cristãos se humilharem e fazerem penitência, sentiam-se levados a imitá-los.
Após ter restabelecido a celebração dos santos mistérios e os outros exercícios da religião interrompidos pelas devastações dos hunos, São Pulcrônio, como filho devoto da Igreja, fez a viagem a Roma para visitar o túmulo dos Apóstolos e pedir à Santa Sé a confirmação de sua eleição.
Fundações marianas e dogmáticas
Defensor dos decretos de Éfeso, ele ergue uma basílica dedicada à Virgem (Theotokos) e transfere a sede episcopal para o centro da cidade.
Ao retornar, publicou em sua diocese as decisões do Concíl io de Éfeso que declaravam Maria, Mãe de Deus, e mandou construir dentro das muralhas de Verdun uma basílica, que dedicou sob o título da natividade de Nossa Senhora. No templo, a santa Virgem foi representada segurando sob seus pés uma serpente para marcar sua vitória sobre os hereges com esta inscrição:
**THEOT OKOS, MÃE DE DEUS; CHRISTOTOKOS, MÃE DO CRISTO.**
Foi em um terreno de sua herança que São Pulcrônio mandou construir esta igreja da santa Virgem. Para ampliar a parte do Senhor, alguns habitantes lhe deram seus jardins, situados na encosta da montanha onde ainda se encontram atualmente o bispado e a catedral.
O cristianismo fez novos progressos na França, após as invasões dos Bárbaros; o paganismo desapareceu quase inteiramente sob as ruínas das velhas cidades gaulesas; e foi sem dúvida para consagrar este triunfo do Evangelho que São Pulcrônio mandou construir, no ponto mais elevado da cidade, uma basílica vasta o suficiente para conter os fiéis recém-convertidos e que formaram desde então a maioria da população de Verdun. Ele transferiu para a nova igreja a sede episcopal que estivera até então na igreja de São Pedro e São Paulo fora das muralhas, e colocou a cidade, assim como toda a diocese, sob a proteção da Santa Virgem. Os decretos do Concílio de Éfeso (431) e do Concílio de Calcedônia (451), ao proclamar as divinas prerrogativas de Maria, contribuíram poderosamente para popularizar seu culto. Foi a partir desta época, sobretudo, que se dedicaram um grande número de templos em sua honra, que festas foram instituídas em memória de seus mistérios e que os bispos a escolheram como a protetora especial de suas dioceses.
Legado escolar e vida comum
Ele fundou uma renomada escola episcopal e legou seu patrimônio para estabelecer a vida comum do clero, origem do Capítulo de Verdun.
Poder-se-ia acreditar que as escolas, as bibliotecas e todos os documentos das ciências desapareceram no grande cataclismo das invasões bárbaras. Certamente, muitas coisas pereceram, mas o amor pelo estudo permaneceu, especialmente no seio do clero. A decadência das letras começou, é verdade, no século V; mas essa decadência não impediu que as Gálias produzissem um grande número de sábios, teólogos, filósofos, historiadores, poetas e oradores distintos. Suas obras nem todas chegaram até nós. Mas aquelas que conhecemos provam que ainda se recebia nas escolas públicas uma cultura intelectual pouco comum. A maioria dos bispos gauleses dos séculos V e VI eram escolhidos das fileiras dos letrados e logo se tornaram, pelas escolas que fundaram, os preceptores das eras que chamamos de *bárbaras*, « cuja barbárie não se deve negar, mas que se creria menos ignorantes, se tivessem sido menos ignoradas ». Essas escolas episcopais guardaram as tradições literárias até a criação das escolas monásticas, e apenas por esse título mereceriam ser mais conhecidas. São Pulcrônio estabeleceu uma em sua cidade de Verdun. O brilho que ela espalhou refletiu sobre o clero de toda aquela diocese. Numerosos obreiros evangélicos foram formados nela, os quais converteram o restante dos idólatras: o ofício divino também ganhou em esplendor e regularidade. O bispo deu, além disso, todo o seu rico patrimônio à igreja. As rendas foram empregadas na manutenção do santuário e na construção de alojamentos para os padres com os quais ele vivia em comum; tal foi a primeira origem do Capítulo de Verdun.
O santo bispo era respeitado e amado pelos grandes e pelos pequenos; ele ganhava para Jesus Cristo os mais obstinados por sua afabilidade insinuante, por sua vida exemplar e pelo grande número de milagres que apoiavam as verdades saídas de sua boca; seu rosto era alegre e suas palavras graves. Ele se considerava uma vítima de expiação pelos pecados de seu povo, que via exposto ao perigo de cair sob o domínio dos conquistadores vindos de além do Reno. As guerras civis dividiam as cidades e as províncias da Gália Belga: umas ainda submetidas aos romanos, das mãos dos quais logo escapariam e que as sobrecarregavam com impostos excessivos, e outras, aos francos que faziam todos os dias novas conquistas. Childerico, seu rei, havia forçado os generais romanos a abandonar Colônia, tomado Tréveris de assalto e conquistado todo o país situado entre o Reno e o Mosa. Verdun, que desta vez não foi atacada, acreditou dever isso à proteção de seu santo Pastor.
Falecimento e posteridade das relíquias
Morto em 470, foi sepultado perto de uma via pública antes que suas relíquias fossem transferidas para Saint-Vannes e para a catedral.
Suas virtudes e seus trabalhos foram coroados por uma morte preciosa no último dia de abril do ano 470. Ele havia trabalhado dezesseis anos como bispo, fazendo florescer a ciência e a piedade no meio de seu rebanho. O costume romano de enterrar os mortos ao longo das grandes estradas ainda existia naquela época, em Verdun. São Pulcrônio foi, portanto, sepultado perto de uma via pública, não longe da porta atual da cidadela. Ergueu-se sobre seu túmulo um oratório que se tornou, posteriormente, a igreja paroquial de Saint-Amant. Em 1625, esta igreja ainda ocupava o local onde hoje estão cavados os fossos desta mesma cidadela. No decorrer dos tempos, as relíquias de São Pulcrônio foram transferidas parte para a igreja de São Pedro e São Paulo, parte para a abadia de Sa int-Vannes. Sua festa é celebrada em Verdun, no dia 30 de abril.
Tradições e monumentos
Análise das tradições litúrgicas sobre a Natividade de Maria e estudo do monumento do arquidiácono Wassebourg ilustrando o dogma mariano.
## MONUMENTOS E TRADIÇÕES.
A tradição, que atribui a São Pulcrone a construção da catedral de Nossa Senhora de Verdun, no interior das muralhas da cidade e no local que ocupa ainda hoje, está registrada nos Breviários desta diocese nestes termos: «Novam ab eo intra urbem basilicam a fundamentis ædificatum, Deo, sub nascentis Virginis Deiparae nomine, fuisse consecratam... referunt».
Roussel, autor de uma história de Verdun publicada em 1745, não admite que São Pulcrone tenha dedicado sua igreja sob o título da *Natividade* de Nossa Senhora, e recusa a Verdun a honra de ter celebrado, desde o século VI, esta festa da Mãe de Deus. Ele opõe à tradição constante e formal da igreja de Verdun duas razões, das quais a primeira não prova nada, uma vez que é tirada do silêncio de um historiador do século IX, como se este historiador, ou melhor, este analista, devesse ou pudesse dizer tudo. A segunda baseia-se na interpretação totalmente arbitrária de uma palavra de São Fulberto de Chartres, que diz, em uma de suas homilias para Nossa Senhora de setembro, «que após a instituição de festas mais antigas e mais solenes, a devoção dos fiéis pediu a adição da festa da *Natividade* celebrada hoje». — *Non contenta fuit devotio fidelium, quin Nativitatis solemne superadderet hodiernum.* — A palavra *hodiernum*, em um sermão pregado no dia da própria festa, não indica de modo algum que se trate de uma festa instituída recentemente. Além disso, o texto de Fulberto, que morreu em 1029 (ver sua vida acima, em 10 de abril), se fosse tomado no sentido de Roussel, expressaria apenas um erro manifesto; pois é certo que, sob o pontificado de Sérgio I, por volta do ano 688, celebrava-se esta festa em Roma. Os sacramentários de São Gregório e de São Leão Magno, os martirológios de Beda, de Adão, etc., a mencionam. Se, depois, quer-se absolutamente que São Fulberto tenha falado de uma instituição recente, isso pode ser verdade para a igreja de Chartres e não para as outras. Além disso, Da Saussay, no martirológio galicano em 8 de setembro, pensa que São Maurílio, discípulo de São Martinho e de Santo Ambrósio, tornado bispo de Angers, instituiu o primeiro a festa da *Natividade* da Santa Virgem na Gália: o que explicaria o nome de *Angesine* outrora dado a Nossa Senhora de setembro, da mesma forma que se chamava *a Normanda* a festa da Imaculada Conceição, cuja celebração começou na Normandia e na Inglaterra. Pode-se concluir de tudo isso que a festa da *Natividade* de Nossa Senhora foi realmente estabelecida em Verdun por São Pulcrone? Esta consequência não seria rigorosa; mas o que é certo é que nada, absolutamente nada, infirma a tradição constante da igreja de Verdun, que sempre se atribuiu a honra de ter celebrado a primeira, ou uma das primeiras, a natividade de Maria. Os cartulários, os livros de cerimônias, os mais antigos Breviários apoiam esta tradição: ora, esta é uma prova muito boa e muito sólida, a da tradição apoiada por monumentos; uma vez que os monumentos e a tradição, um sustentando o outro, atestam que, desde tempos imemoriais, Verdun celebrou a *Natividade* da Santa Virgem como uma solenidade que lhe é própria, como a festa padroeira da igreja catedral, e isso até a revolução de 1793; uma vez que, por outro lado, tradição e monumentos fazem a São Pulcrone a honra desta instituição, por que vir, em 1745, roubar-lhe esta honra?
Por ocasião das inscrições gregas que São Pulcrone teria mandado gravar abaixo de um baixo-relevo representando a Santa Virgem sentada e esmagando a serpente, é bom saber que inscrições do mesmo gênero ainda são vistas hoje em um pilar da catedral de Verdun. Mas foi o arquidiácono Wassebourg, autor das *Antiguidades da Gália Bélgica*, que mandou fazer no século XVII uma representação da Santa Virgem esmagando a serpente, e colocar acima a inscrição *Osservans* e *Xpressans* , continua ndo assim a tradição que atribuía a São Pulcrone um monumento da mesma forma, concebido com o mesmo pensamento, executado segundo os mesmos dados. É uma coisa digna de nota, com efeito, que, há muitos séculos, não se contentaram na igreja de Verdun com as palavras latinas *Mater Dei* e *Deipara* como expressão do dogma católico, mas que acreditaram dever expressar esta verdade pelas palavras gregas do concílio de Éfeso. É assim que se lê em um antigo Breviário desta igreja, que data de São Luís: *Ave, Theotokos, virgo Maria, quæ firmum mundi regentem machinam Filium protulisti*, etc. (terceira antífona do terceiro Noturno no dia da Assunção). O Breviário de 1486 e o de 1560 conservaram este uso nos ofícios da Assunção, da Anunciação, etc. Ao inserir na inscrição de seu monumento as palavras gregas *Theotokos, Christotokos*, empregadas frequentemente pelo concílio de Calcedônia, Wassebourg sem dúvida quis fazer alusão à antiga liturgia de Verdun, que empregava muito frequentemente estes termos nos ofícios da bem-aventurada Virgem.
O curioso monumento erguido pela piedade de Wassebourg encontra-se na capela da Santa Virgem, na parede que faz frente ao altar. Os terroristas o mutilaram em 1793.
Na parte superior do baixo-relevo, lê-se o engenhoso dístico seguinte, onde se faz a Santa Virgem dizer:
| Sum quod eram, nec eram quod sum; nunc dicer utrumque. | Sou o que era, mas não era o que sou: atualmente sou um e outro. | | --- | --- | | Christiforam pietatis heram cole me, genitumque. | Honra meu filho; honra em mim a portadora de Cristo, a Mãe de misericórdia. |
No centro do baixo-relevo, a Virgem está sentada e coroada. Com a mão direita ela segura um lírio, símbolo da virgindade, e com a mão esquerda ela sustenta o menino Jesus, que ele mesmo carrega o globo do mundo superado por uma cruz. A seus pés, Maria pisa o dragão infernal.
Ora, precisamente à altura da cabeça da Virgem, leem-se estas duas inscrições características:
| à direita: *Xpressans*, *Mater Christi*. | à esquerda: *Osservans*, *Mater Dei*. | | --- | --- |
Abaixo e quase ao nível dos pés da Virgem está ajoelhado, com as mãos juntas muito devotamente, o piedoso arquidiácono a quem se deve este monumento. Ele dirige a Maria esta humilde oração, que corre em um cartucho três vezes enrolado:
| Dignare me laudare te, Virgo sacrata. | Ó Virgem santa, permiti que eu vos louve. | | --- | --- |
À frente dele estão seus brasões com a estoica divisa, cuja enérgica brevidade, emprestada do paganismo, resume toda a moral cristã:
| Abstine et sustine. | Abstém-te e resigna-te. | | --- | --- |
Em frente ao arquidiácono e no mesmo plano estão seis coroinhas, que enviam para o céu as palavras desta estrofe, distribuídas em quatro cartuchos:
| Monstra te esse matrem: Sumat per te preces, Qui pro nobis natus, Tulit esse tuus. | Mostrai-vos nossa Mãe: Que receba por vós nossa prece, Aquele que, nascido por nós, Quis tornar-se vosso filho. |
Embaixo, em toda a largura da moldura, a significação desta escultura se resume nesta legenda:
| Hæc contrivit caput serpentis antiqui, quæ sola cunctas hæreses interemit et, Virgo permanens, Deum et hominem genuit. | Eis aquela que esmagou a cabeça da serpente antiga, que, sozinha, destruiu todas as heresias e, permanecendo Virgem, deu à luz Jesus Cristo, Deus e homem. |
Finalmente, mais abaixo ainda e fora da moldura, encontra-se esta inscrição em letras góticas:
Representação da imagem de Nossa Senhora de Verdun, ordenada por São Pulcrone, quinto bispo desta Cidade, segundo o decreto do Concílio de Calcedônia: Onde ele esteve presente quando as heresias contra a Virgem Maria foram confundidas. E decretado que doravante seria chamada Christotokos e Theotokos: Isto é, mãe de Cristo e mãe de Deus, No ano da graça de quatrocentos e cinquenta e dois.
Esta imagem é de madeira, e Wassebourg a mandou gravar no início de seu livro das *Antiguidades da Gália Bélgica*.
Ter-se-á notado que a última inscrição faz São Pulcrone assistir ao concílio de Calcedônia; mas este dizer não é sustentável, uma vez que São Pulcrone só foi ordenado bispo em 454, três anos após a realização deste concílio. Terá ele assistido como simples padre, ou tê-lo-ão confundido com dois outros Pulcrones ou Polícronos, um bispo de Antipatride na Palestina, e o outro de Epifania na Ásia Menor? Esta última hipótese explica de uma maneira bastante plausível o erro no qual caiu a este respeito o autor das *Antiguidades da Gália Bélgica*.
Embora nossa intenção não seja sustentar que a ideia de representar a Santa Virgem da maneira que acabamos de dizer remonte ao próprio São Pulcrone, ao constatar que o piedoso arquidiácono de Verdun, Wassebourg, fez-se eco de uma tradição respeitável, não podemos deixar de responder a uma última objeção, que foi feita em nome da crítica dos dois últimos séculos, desta crítica tão pretensiosa e, no entanto, tão ignorante. Disse-se, portanto, sem provar, é claro, que o costume de representar a Virgem esmagando a serpente só se introduziu desde as discussões sobre a Imaculada Conceição. Pode-se crer, responderemos, que este símbolo tornou-se então mais geral; mas há muito tempo que se representava o dragão infernal sob os pés de São Miguel, de São Jorge, de Santa Margarida, etc. A maldição pronunciada na origem contra o sedutor da primeira Eva: — *Ipsa conteret caput tuum*: Ela esmagará a tua cabeça, — fez nascer cedo a ideia de introduzir o mesmo emblema nas imagens daquela que os Padres da Igreja denominavam a segunda Eva. A crítica sem dúvida não tinha lido Prudêncio, poeta do século IV, que parece descrever nestes belos versos a imagem de Nossa Senhora, atribuída a São Pulcrone:
| Hoc odium vetus illuderat, Hoc orat aspiète atque hominis Digladiabile discidium, Quod modo corona feminis Vipera proteritur pedibus. | O antigo ódio da serpente foi a fonte da sedução; é porque reina entre os filhos dos homens e ele uma inimizade eterna que a víbora é humilhada, pisada aos pés da mulher. | | --- | --- | | Edero namque Deum merita, Omnia Virgo venena domat: Tractibus anguis inexplicitis Virus inormo piger revomit, Gramine concolor in viridi. Hymn. ante cibum, v. 146-155. | A virgem que mereceu pôr um Deus no mundo, triunfa de todos os venenos. Sob seu aperto, o réptil indolente, aos avanços tortuosos vomita sobre o gramado seu glauco vírus, doravante inofensivo. |
Consultar a *Histoire ecclésiastique et civile de Verdun*, aumentada, nova ed., Bar-le-Duc, 1863; Ozanam, *Études germaniques*, t. II, p. 386.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de São Pulcrônio de Verdun
Perguntas frequentes sobre São Pulcrônio de Verdun
Quem foi São Pulcrônio de Verdun?
Quinto bispo de Verdun no século V, Pulcrônio é considerado o segundo fundador da cidade após as devastações dos hunos. Discípulo de São Lupo de Troyes, introduziu em Verdun o culto à Virgem Maria sob o título de Theotokos e fundou uma renomada escola episcopal. Faleceu em 470 após dezesseis anos de episcopado marcados por numerosos milagres e pela reconstrução de sua cidade.
De que São Pulcrônio de Verdun é santo padroeiro?
Padroados de São Pulcrônio de Verdun: Diocese de Verdun e Catedral de Verdun.
Para que se reza a São Pulcrônio de Verdun?
Reza-se a São Pulcrônio de Verdun por: proteção contra invasões e apaziguamento da ira divina.
Como reconhecer São Pulcrônio de Verdun na arte cristã?
Na iconografia, São Pulcrônio de Verdun é reconhecível por: Virgem esmagando a serpente (Theotokos), Inscrições gregas e Trajes episcopais.
Quais milagres são atribuídos a São Pulcrônio de Verdun?
2 milagres são atribuídos a este santo, notadamente: Sinal / prodígio e Proteção / libertação.
Quais santos foram contemporâneos de São Pulcrônio de Verdun?
Entre seus contemporâneos figuram: Santo Agostinho de Hipona, Santo Honorato de Arles, São Tiago de Tarentaise e São Jerônimo de Estridão.
Quando São Pulcrônio de Verdun morreu?
São Pulcrônio de Verdun morreu por volta de 500.
Quais são os outros nomes de São Pulcrônio de Verdun?
Outras formas do nome: Polychrone.
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Nascimento em Troyes, na Champagne
- Estudos em Toul sob a direção de São Lupo
- Viagem à Inglaterra para combater a heresia pelagiana
- Eleição para a sede episcopal de Verdun
- Viagem a Roma para confirmar sua eleição
- Construção da basílica da Natividade de Nossa Senhora em Verdun
- Fundação de uma escola episcopal em Verdun
- Transferência da sede episcopal para dentro das muralhas
Citações
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THEOTOKOS, MÃE DE DEUS; CHRISTOTOKOS, MÃE DO CRISTO.
Inscrição da basílica de Verdun