Nazareno Lanciotti
Padre missionário italiano no Brasil, membro do Movimento Sacerdotal Mariano, assassinado em 2001 devido ao seu compromisso com os pobres e sua luta contra os flagelos sociais.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Juventude em Roma e Subiaco, vocação sacerdotal e partida em missão para o Brasil com a Operação Mato Grosso.
Nazareno Lanciotti nasceu em 3 de março de 1940 em Roma, na Itália, no seio de uma família modesta e profundamente cristã originária de Subiaco. Seu pai, Giacomo Lanciotti, exercia a profissão de pedreiro, enquanto sua mãe, Antonietta, era dona de casa. Ele cresceu ao lado de suas duas irmãs, Franca e Anna Maria. Durante a Segunda Guerra Mundial, a família retornou para se instalar em Subiaco. Foi lá que o jovem Nazareno sentiu o chamado ao sacerdócio e entrou no seminário da abadia territorial de Santa Escolástica.
Ele foi ordenado padre em 29 de junho de 1966. Durante seus cinco primeiros anos de ministério, de 1966 a 1971, exerceu o cargo de vigário paroquial na paróquia de São João Crisóstomo (San Giovanni Crisostomo) no bairro de Montesacro em Roma, onde se dedicou particularmente à pastoral juvenil. Em 1971, sua vida tomou um rumo decisivo quando descobriu a Operação Mato Grosso (OMG), um movimento de voluntariado de jovens italianos dedicado ao serviço dos mais necessitados na América do Sul. Animado por um profundo impulso missionário, obteve a autorização de seu bispo para partir ao Brasil. Chegou ao povoado de Jauru, no estado do Mato Grosso, em 12 de janeiro de 1972.
Vida e obra
Ação pastoral e social do padre Nazareno em Jauru: fundação da paróquia, de um hospital, de escolas e engajamento no Movimento Sacerdotal Mariano.
Ao se estabelecer em Jauru, uma localidade isolada situada na fronteira com a Bolívia, o padre Nazareno depara-se com uma realidade extremamente precária: o vilarejo carecia de eletricidade, água encanada e escolas. Sem se desencorajar, ele percorria a floresta no lombo de mulas para alcançar as populações dispersas.
Sua ação pastoral e social transforma profundamente a região: - Fundação da paróquia: Em 12 de outubro de 1976, ele erige canonicamente a paróquia de Nossa Senhora do Pilar, da qual se torna o primeiro pároco. - Comunidades rurais: Ele funda 57 comunidades eclesiais rurais por todo o território e nelas instaura a adoração eucarística diária. - Saúde e educação: Constatando a miséria e a ausência de cuidados médicos (o hospital mais próximo ficava a 200 km), ele constrói em 1974 um dispensário que se tornaria um dos hospitais mais ativos da região (Hospital Nossa Senhora do Pilar). Ele cria também uma escola que acolhia centenas de crianças pobres, oferecendo-lhes educação e alimentação, bem como um seminário menor para incentivar as vocações locais. - Acolhimento aos idosos: Ele funda o asilo «Lar Imaculado Coração de Maria» para acolher pessoas idosas e doentes abandonados.
Em 1987, o padre Nazareno conhece o padre Stefano Gobbi, fundador do Movimento Sacerdotal Mariano (MSM). Ele se engaja plenamente nesta obra e é nomeado, em 1988, responsável nacional do movimento para o Brasil. A este título, ele percorre incansavelmente o país para animar cenáculos de oração e propagar a consagração ao Imaculado Coração de Maria.
Caminhada rumo à santidade
Ameaças de redes criminosas, agressão armada na casa paroquial e agonia do padre Nazareno, que perdoa seus assassinos.
A dedicação do padre Nazareno aos mais pobres e sua luta aberta contra os flagelos sociais daquela região fronteiriça — notadamente o tráfico de drogas, a prostituição e a exploração de menores — suscitaram a hostilidade de redes criminosas locais e de grupos de influência, incluindo uma loja maçônica local. Apesar das ameaças repetidas, ele se recusou a abandonar sua missão.
Na noite de 11 de fevereiro de 2001, enquanto jantava em sua casa paroquial com colaboradores, dois homens armados e encapuzados irromperam no local. Um dos agressores lhe disse: "Viemos te matar porque você nos incomoda demais" (tradução das palavras relatadas pela agência Fides: "We have come to kill you because you bother us too much"). O sacerdote foi gravemente ferido por um tiro na cabeça.
Transportado primeiro para Cuiabá, e depois transferido para o Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, ele suportou dez dias de agonia. Antes de falecer em 22 de fevereiro de 2001, aos 60 anos, ele ofereceu explicitamente seu perdão aos seus assassinos. Sua morte foi imediatamente percebida pelos fiéis como um verdadeiro martírio pela fé e pela justiça.
Beatificação e canonização
Reconhecimento do martírio em 2025 e celebração solene da beatificação em Jauru em 2026.
A causa de beatificação do padre Nazareno Lanciotti foi oficialmente aberta em 2007. Em 14 de abril de 2025, o Papa Francisco reconheceu oficialmente o seu martírio in odium fidei (em ódio à fé), dispensando assim a causa da apresentação de um milagre. A cerimônia solene de beatificação foi celebrada em 13 de junho de 2026 em Jauru, no estado de Mato Grosso, no Brasil. A celebração, que reuniu milhares de fiéis e numerosos bispos, foi presidida pelo cardeal João Braz de Aviz, prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, agindo na qualidade de delegado do Papa Leão XIV. O padre Nazareno Lanciotti tornou-se assim o primeiro beato mártir do estado de Mato Grosso. Sua festa litúrgica foi fixada em 12 de janeiro (dia do aniversário de sua chegada a Jauru) ou em 22 de fevereiro (dia de seu nascimento no Céu).
Espiritualidade e legado
Espiritualidade eucarística e mariana, impacto do Movimento Sacerdotal Mariano e perenidade de suas obras sociais.
A espiritualidade do bem-aventurado Nazareno Lanciotti baseava-se em dois pilares fundamentais: a Eucaristia e a devoção mariana. Ele concebia seu ministério como uma oferta total, vivida na simplicidade e na fidelidade ao Papa. Seu compromisso no seio do Movimento Sacerdotal Mariano marcou profundamente a Igreja no Brasil, tornando-o o primeiro membro deste movimento a ser elevado aos altares.
Seu legado permanece vivo em Jauru através das estruturas que fundou — o hospital, a escola e o lar para idosos — que continuam a levar ajuda e conforto às populações da região. Seu túmulo, situado na paróquia Nossa Senhora do Pilar em Jauru, tornou-se um importante local de peregrinação.
Perguntas frequentes sobre Nazareno Lanciotti
Quem foi Nazareno Lanciotti?
Padre missionário italiano no Brasil, membro do Movimento Sacerdotal Mariano, assassinado em 2001 devido ao seu compromisso com os pobres e sua luta contra os flagelos sociais.
Como Nazareno Lanciotti morreu?
Nazareno Lanciotti sofreu o martírio pela fé cristã (21.º século).
Quais santos foram contemporâneos de Nazareno Lanciotti?
Entre seus contemporâneos figuram: Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, Manuela de Jesús Arias Espinosa, Santa Maria Maravilhas de Jesus e Jesús Antonio Gómez y Gómez.
Quem são os familiares de Nazareno Lanciotti?
Familiares de Nazareno Lanciotti: Giacomo Lanciotti (pai), Antonietta (mãe), Franca (irmã) e Anna Maria (irmã).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 2001
- Beatificação em 2026 por Leão XIV
Citações
-
Viemos para matá-lo porque você nos incomoda demais
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