Egidio Bullesi
Egidio Bullesi (1905-1929) é um jovem operário italiano, membro da Ordem Franciscana Secular e da Ação Católica, declarado venerável por João Paulo II.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Nascimento em Pola, êxodo familiar durante a Primeira Guerra Mundial e retorno à Ístria como aprendiz de carpinteiro.
Egidio Bullesi (cujo sobrenome original, Bullessich, foi italianizado pouco antes de sua morte) nasceu em 24 de agosto de 1905 em Pola, cidade da Ístria então sob a soberania do Império Austro-Húngaro (hoje Pula, na Croácia). Ele é o terceiro dos nove filhos de Francesco Bullesi, desenhista técnico no arsenal da Marinha, e de Maria Diritti.
Em 1914, a eclosão da Primeira Guerra Mundial transtornou a vida da família. Sendo Pola declarada zona de guerra, a população civil foi evacuada. Egidio, sua mãe e seus irmãos foram forçados ao êxodo e tornaram-se refugiados, enquanto seu pai permaneceu trabalhando em Pola. Eles permaneceram sucessivamente em Rovigno (Rovinj), depois em Szeghedin, na Hungria, e finalmente na Áustria, em Wagna e Graz. Durante esses anos de privações, frio e fome, o jovem Egidio demonstrou uma maturidade precoce. Para ajudar sua família, ele percorria a pé as montanhas da Estíria com sua irmã mais velha, Maria, para trocar tabaco ou roupas por comida. Foi durante esse exílio que ele recebeu sua primeira comunhão em Rovigno, aos 10 anos de idade, e depois sua crisma na catedral de Graz, no ano seguinte.
Após o fim das hostilidades, em 1919, a família pôde finalmente retornar a Pola, agora anexada ao Reino da Itália. Com apenas 13 anos, em setembro de 1918, Egidio começou a trabalhar como aprendiz de carpinteiro nos estaleiros navais locais. Apesar de um ambiente operário fortemente marcado pelo anticlericalismo e pelas tensões sociais, ele se destacou rapidamente por seu ardor no trabalho, sua inteligência e a prática corajosa de sua fé cristã.
Vida e obra
Engajamento na Ação Católica, na Ordem Terceira Franciscana, no escotismo, na Marinha Real e junto aos operários de Monfalcone.
A existência de Egidio Bullesi é caracterizada por um intenso compromisso leigo no seio de vários movimentos da Igreja:
* **A Ação Católica e a Ordem Terceira Franciscana:** Em 2 de julho de 1920, aos 15 anos, ele segue o exemplo de sua irmã Maria e se engaja na Juventude da Ação Católica (Gioventù di Azione Cattolica). Pouco depois, profundamente tocado pela pregação do padre franciscano Tito Castagna, decide seguir a espiritualidade de São Francisco de Assis. Em 4 de outubro de 1920, é admitido na Ordem Terceira Franciscana (hoje Ordem Franciscana Secular) sob o nome religioso de Ludovico. * **O escotismo em Pola:** Em 1921, Egidio é enviado a Roma para representar a juventude de sua região no Congresso Nacional que celebrava o 50º aniversário da Juventude Católica. Lá, descobre o escotismo, cujo método de educação pela natureza e pelo serviço o seduz imediatamente. De volta a Pola, torna-se um dos principais promotores e fundadores do grupo de escoteiros católicos da cidade (o "Reparto San Michele"), fundado em 1923. Dedica todo o seu tempo livre à animação dos jovens. Quando o regime fascista decreta a dissolução do escotismo católico entre 1927 e 1928, Egidio aceita essa provação com uma obediência filial para com a Igreja, exortando seu irmão Giovanni a manter a unidade dos jovens sob outras formas associativas. * **O apostolado na Marinha:** Em fevereiro de 1925, Egidio é convocado para prestar seu serviço militar na Marinha Real Italiana. Embarcado no encouraçado Dante Alighieri, que contava com cerca de mil marinheiros a bordo, ele não esconde sua fé. Organiza grupos de oração, catequese e reflexão. Seu testemunho alegre e coerente transforma a vida de vários de seus companheiros, notadamente a de Guido Foghin, então ateu, que se converteria e se tornaria mais tarde padre e missionário franciscano. Egidio termina seu serviço militar em 15 de março de 1927. * **O compromisso em Monfalcone:** Após sua dispensa da Marinha, encontra um emprego como desenhista técnico nos estaleiros navais de Monfalcone (Gorizia). Instala-se lá e integra-se à paróquia da Marcelliana, mantida pelos padres franciscanos. Continua seu apostolado junto aos operários e engaja-se ativamente na Sociedade de São Vicente de Paulo, dedicando-se sem reservas ao alívio dos pobres e dos enfermos.
Caminhada rumo à santidade
Doença vivida com serenidade, apostolado no hospital e morte santa aos 23 anos de idade.
Em agosto de 1928, a saúde de Egidio declina bruscamente. Acometido por uma grave bronquite que evolui rapidamente para tuberculose pulmonar, ele é hospitalizado em Pola no dia 29 de agosto de 1928.
Longe de se revoltar, ele acolhe a doença com uma serenidade e uma resignação heroicas, considerando-a como um "dom de Deus" que lhe permite associar-se à Paixão de Cristo. Durante seus longos meses de hospitalização, alternando com breves estadias em sua família, ele transforma seu quarto de hospital em um lugar de evangelização. Ele conforta os outros doentes, edifica os médicos e os enfermeiros com sua paciência e seu sorriso constante, e oferece seus sofrimentos pela Igreja e pelas missões.
Egidio Bullesi falece santamente na manhã de 25 de abril de 1929 em Pola, aos 23 anos de idade. Em conformidade com seu desejo, ele é revestido com o hábito franciscano para seu sepultamento. Suas exéquias são celebradas na catedral de Pola por seu amigo e diretor espiritual, padre Antonio Santin (futuro bispo de Trieste), diante de uma multidão imensa profundamente enamorada da santidade deste jovem operário.
Beatificação e canonização
Abertura da causa em Trieste, transferência de seus restos mortais para Barbana e reconhecimento da heroicidade de suas virtudes por João Paulo II.
Devido à Segunda Guerra Mundial e às tensões geopolíticas que se seguiram — a Ístria sendo cedida à Iugoslávia em 1947, o que provocou o êxodo em massa da população italiana (incluindo a família de Egidio) —, a abertura da causa de beatificação foi longamente adiada.
A causa foi oficialmente aberta na diocese de Trieste em 6 de maio de 1974 pelo bispo Antonio Santin, após a obtenção do decreto de nihil obstat do Dicastério para as Causas dos Santos em 23 de agosto de 1973. O processo diocesano foi encerrado em 6 de dezembro de 1977, e os documentos foram transmitidos a Roma.
Em 1974, os restos mortais de Egidio Bullesi foram exumados do cemitério de Pola e transferidos para a Itália, para o santuário da Madonna di Barbana, situado na ilha de Barbana, perto de Grado (Gorizia), onde repousam desde então em uma urna de bronze.
Em 7 de julho de 1997, o Papa João Paulo II assinou o decreto reconhecendo a heroicidade de suas virtudes cristãs, conferindo-lhe assim o título de venerável. Em 2000, o bispo de Trieste, Eugenio Ravignani, transmitiu à Congregação para as Causas dos Santos as conclusões do inquérito diocesano sobre um suposto milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido em 1929 a bordo do navio Vulcania.
Espiritualidade e legado
Uma espiritualidade de confiança e alegria radiante, inspirada por São Francisco de Assis e Santa Teresinha do Menino Jesus.
A espiritualidade de Egidio Bullesi baseia-se em uma confiança absoluta em Deus e em uma alegria radiante, que ele resumia assim: «Esta vida é tão bela, então por que entristecer-se? Sejamos sempre alegres, mas no Senhor.» Profundamente marcado pela figura de São Francisco de Assis e pelo «pequeno caminho» de Santa Teresinha do Menino Jesus, ele concebia a existência cristã como uma navegação guiada por duas estrelas: o Evangelho e a Virgem Maria. Ele escreveu em seu diário: «Viver de amor é navegar, espalhando sempre a alegria e o riso ao meu redor.»
Egidio Bullesi permanece hoje um modelo de santidade laical particularmente atual. Ele mostra como um jovem trabalhador, engajado nas realidades de seu tempo (o trabalho na fábrica, o serviço militar, a animação da juventude), pode viver o Evangelho de maneira radical e alegre, transformando seu meio de vida em um espaço de caridade e de testemunho cristão.
Iconografia
Sinais e atributos
Perguntas frequentes sobre Egidio Bullesi
Quem foi Egidio Bullesi?
Egidio Bullesi (1905-1929) é um jovem operário italiano, membro da Ordem Franciscana Secular e da Ação Católica, declarado venerável por João Paulo II.
Como reconhecer Egidio Bullesi na arte cristã?
Na iconografia, Egidio Bullesi é reconhecível por: Hábito franciscano.
Quais santos foram contemporâneos de Egidio Bullesi?
Entre seus contemporâneos figuram: Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Felipe de Jesús Munárriz e 50 companheiros, Mariano de Jesús Euse Hoyos e Teresa de Jesus dos Andes.
Quando Egidio Bullesi morreu?
Egidio Bullesi morreu por volta de 1905.
Quais são os outros nomes de Egidio Bullesi?
Outras formas do nome: Egidio Bullessich.
Quem são os familiares de Egidio Bullesi?
Familiares de Egidio Bullesi: Francesco Bullesi (pai), Maria Diritti (mãe), Maria Bullesi (irmã) e Giovanni Bullesi (irmão).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1905-1929
- Decreto de venerabilidade por João Paulo II
Citações
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Esta vida é tão bela, então por que se entristecer? Sejamos sempre alegres, mas no Senhor.
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Viver de amor é navegar, espalhando sempre a alegria e o riso ao meu redor.
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