Originário da Escócia, Santo Urso tornou-se arquidiácono de Aosta no século VI após ter evangelizado Meyronnes. Defensor da ortodoxia diante do arianismo, fundou a colegiada que leva seu nome para permanecer fiel à fé católica. Reconhecido por sua caridade para com os pobres e seus milagres ligados à água, ele permanece como copadroeiro da diocese de Aosta.
Seus contemporâneos
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SANTO URSO, ARQUIDIÁCONO DE AOSTA
FUNDADOR DA COLEGIADA DE SÃO PEDRO E DE SANTO URSO
Origens e chegada a Aosta
Originário da Irlanda ou da Escócia, Urso estabeleceu-se em Aosta na virada do século VI, após ter evangelizado Meyronnes contra o arianismo.
São Urso nasceu na ilha da Escócia. Todos os autores que falaram dele concordam quanto ao país de sua origem, mas não o fazem da mesma forma sobre a época precisa de sua vida; contudo, parece certo que ele viveu por volta do final do século V ou no início do VI. Foi nessa época que ele deixou sua pátria e veio fixar-se em Aosta. O moti vo qu e guiou assim seus passos foi o zelo pela glória de Deus e pela salvação das almas, o desejo de sustentar a fé vacilante e de propagar as virtudes cristãs e religiosas que brilhavam em seu tempo na ilha dos Santos. Foi o mesmo motivo que, no mesmo século, levou São Galo, São Columbano e seus doze companheiros a deixar a Irlanda para vir primeiro à Bretanha, depois à Suíça e, finalmente, à Itália, onde operaram uma multidão de conversões e fundaram estabelecimentos sob cuja sombra floresceu um número prodigioso de santos.
São Urso, ao deixar a Irlanda, deteve-se algum tempo em Meyronnes, na diocese de Digne. Este vale esta va então desolado pelo arianismo. Ele apressou-se em anunciar ao povo a palavra da verdade, e teve a consolação de reconduzir à verdadeira fé aqueles que estavam no erro. Após ter evangelizado esta região e nela ter deixado traços tão profundos de sua passagem, que subsistem ainda após mais de treze séculos, ele chegou a Aosta, onde demonstrou tal superioridade de gênio, de ciência e de virtude, que não apenas encontrou lugar nas fileiras do clero, mas foi logo elevado à dignidade de arquidiácono.
O arquidiácono e o pastor
Elevado à dignidade de arquidiácono, ele auxilia o bispo São Jocondo na gestão da diocese e no combate às heresias.
Ele respondeu perfeitamente à sua sublime vocação, pois foi no exercício das funções e no cumprimento dos deveres ligados a essa dignidade que ele conquistou a admiração e a confiança dos povos, e que mereceu o glorioso título de Santo. Com efeito, ele abraçou em sua solidão todas as partes do ministério pastoral, anunciando a palavra de Deus com um zelo apostólico e com o sucesso que ordinariamente acompanha a santidade, dando conselhos a uns, encorajamentos a outros, ora repreendendo o vício com uma severidade temperada pela caridade, ora dando à virtude os elogios e as recompensas que ela merece, visitando as paróquias da diocese para fortalecer os fiéis e arrancar do paganismo ou da heresia as almas que ainda não tinham aberto os olhos à luz do Evangelho, ou que tinham sido induzidas ao erro; velando pelos pastores e pelas ovelhas, pelos jovens levitas assim como pelos anciãos do santuário.
Por mais penosos que fossem para Santo Urso os trabalhos de seu ministério, eles eram suportáveis enquanto ele apenas secundava o zelo e a solicitude do santo bispo que regia então a diocese de Aosta; era o piedoso Jocondo, honrado em Aosta sob o nome de São Jocondo I. Este digno pastor demonstrava, ele também, em concerto com seu arquidiácono, o zelo mais ard ente, o mais ativ o e o mais industrioso pela salvação das almas; mas os tempos que corriam eram tempos maus. A heresia de Ário, sustentada por aqueles que dispunham então da força e dos favores temporais, insinuava-se por toda parte como um veneno sutil. Já mesmo infectava alguns membros do clero. Estes, não podendo acomodar-se às medidas adotadas pelo santo bispo para conservar ou trazer de volta a pureza da fé e dos costumes, levantaram contra ele a mais terrível perseguição; acusaram-no de felonia, de traição e de crime de lesa-majestade real. Eles souberam tão bem dar à calúnia a aparência da verdade, que conseguiram fazer expulsar Jocondo da sede episcopal com a privação de todas as rendas ligadas ao bispado. Este revés causou, por efeito colateral, ao coração tão bom do arquidiácono Santo Urso a maior dor e lhe proporcionou ao mesmo tempo um acréscimo de trabalho e de solicitude.
Resistência diante do arianismo
Após a morte de Jocondo, Urso opõe-se ao bispo ariano Ploceano e retira-se para perto da igreja de São Pedro para fundar uma comunidade de sacerdotes fiéis.
A divina Providência reserva frequentemente aos homens que deseja elevar a um alto grau de santidade certas provações que, ao purificar sua virtude, fornecem-lhes a ocasião de fazê-la brilhar ainda mais e formam, por assim dizer, o núcleo de sua santidade. Tal foi, para São Urso, a circunstância que passaremos a relatar.
Enquanto São Urso trabalhava incessantemente em sua santificação pela prática das obras de piedade, caridade e penitência, enquanto prosseguia com zelo o exercício do santo ministério, a sede de Aosta ficou vacante pela morte de São Jocondo. A facção dos arianos, então numerosa e intrigante, favorecida aliás por Teodorico, rei da Itália, ele próprio ariano, movimentou-se tanto que conseguiu elevar à sede de Aosta um certo Ploceano, infectado pela heresia dominante e que e ra, alé m disso, de caráter duro, violento, até cruel, agindo contra qualquer um que ousasse resistir-lhe. Não contente em professar ele mesmo uma doutrina contrária ao ensinamento da Igreja, empregava todos os meios para propagar em seu rebanho o veneno da heresia.
São Urso, na qualidade de arquidiácono, foi o primeiro a opor-se aos empreendimentos do falso pastor. Não esqueceu nada para retirá-lo ele mesmo do erro e para preservar, ao menos, o rebanho que estava sob sua guarda; admoestações, orações, exortações, pregações, tudo o que o zelo mais ardente e caridoso pode sugerir como meios para conjurar o flagelo da heresia, tudo foi posto em prática. Mas, se seus esforços conseguiram preservar ou retirar do erro uma multidão de pessoas dóceis à sua voz, nada pôde vencer a obstinação de Ploceano.
Foi então que São Urso, para afastar qualquer suspeita de conivência com esse herege, e para ser ele mesmo mais livre no exercício de seu zelo pastoral, tomou a decisão de retirar-se para fora das muralhas da cidade, no local onde havia uma antiga igreja construída em honra ao apóstolo São Pedro. Foi seguido em seu retiro por um terço dos cônegos da catedral, com os quais iniciou o serviço daquela igreja.
Esta é a origem da Colegiada de São Pedro e São Urso, a mais antiga de todas as colegiadas e de todos os estabelecimentos religiosos dos Estados Sardos.
Ao fundar sua Congregação de sacerdotes que permaneceram fiéis em meio às mais duras provações, submeteu-os a uma regra, porque não há vida comum possível sem uma regra qualquer. Em sua nova posição, São Urso continuava seus exercícios de piedade, mortificação e caridade, e seus companheiros, ou melhor, seus discípulos, esforçavam-se por seguir os exemplos daquele a quem respeitavam como seu mestre e modelo.
São Urso não perdia de vista as obrigações que lhe impunha seu cargo de arquidiácono; pois era para exercê-lo mais livremente e com mais sucesso que ele se havia separado de Ploceano. Onde quer que a glória de Deus e a salvação das almas o chamassem, ele se encontrava, pessoalmente ou por meio de seus companheiros, que eram como missionários dependentes de sua vontade.
Milagres e caridade
O santo realizou vários milagres, notadamente o apaziguamento da torrente de Buthier e o surgimento de uma fonte em Busseia.
Todas as virtudes brilhavam na vida do nosso Santo. Mas há uma que era para ele uma verdadeira necessidade: a beneficência. Nele, essa nobre disposição não abrangia apenas os males espirituais, ele a estendia também a todas as calamidades públicas e particulares que afligem a nossa humanidade. Vamos reproduzir alguns traços disso.
A torrente de Buthier, que nasce nos Alpes Peninos e passa perto da cidade de Aosta, cresceu um dia a tal ponto que não apenas as propriedades ribeirinhas, mas a própria cidade e seus habitantes estavam prestes a ser vítimas. A igreja de São Pedro, sobretudo, servida por Santo Urso e pelos padres de sua Congregação, estava tão invadida pelas águas que ninguém podia mais entrar, e aqueles que ali se refugiaram como em um lugar seguro não podiam mais sair. Então, Santo Urso, vendo que todos os socorros humanos eram inúteis, dirigiu-se com a fé mais viva àquele que comanda os elementos e, após munir-se do sinal da cruz, dirigiu-lhe esta oração que a tradição nos conservou:
«Senhor, que, após ter criado o mundo, continua a governá-lo; que, durante o dilúvio universal, salvou das águas o gênero humano, a raça de todos os animais e a semente de todas as produções da terra; que abriu através do mar Vermelho um caminho para subtrair os filhos de Israel do cativeiro no qual gemiam sob o reinado de Faraó; que salvou o profeta Jonas do abismo do mar e do ventre da baleia; que, à oração do profeta Elias, suspendeu o benefício da chuva durante três anos e seis meses; que deu a mão ao vosso fiel apóstolo São Pedro para preservá-lo do naufrágio; que, pela força da vossa palavra, apaziguou a fúria dos ventos e do mar, baixai agora um olhar favorável sobre este povo que vos invoca, não decepcioneis a esperança que ele depositou em vós. Segundo a vossa misericórdia, atendei à minha oração, ordenai que a chuva cesse e que o rio retorne ao seu leito».
Santo Urso não tinha terminado sua oração quando as nuvens se dissiparam, a chuva cessou, o céu reapareceu e o rio, retirando suas águas, retomou seu curso ordinário. Este evento pareceu demasiado marcante e trazia de forma muito evidente o selo da mão onipotente de Deus para não perpetuar sua memória. É por isso que se fazia todos os dias nas Matinas uma comemoração especial até o ano de 1608, época em que o Capítulo de Santo Urso deixou o uso de Aosta para adotar o romano.
Durante a estação do verão, Santo Urso, encontrando-se no povoado de Busseia, a pouca distância do local de sua residência, ouviu camponeses se queixarem do calor extremo e da sede que suportavam. E, como ele fazia suas delícias ao exercer as obras de misericórdia, lembrou-se da palavra do Evangelho: «Tudo é possível àquele que tem fé»; ele bateu com seu cajado na rocha que tinha sob os pés e, imediatamente, dela jorrou uma fonte de água clara e límpida que continuou a correr e corre ainda em nossos dias, sem nunca cessar, faça o tempo que fizer. Esta fonte leva o nome de Fonte de Santo Urso em atos muito antigos. Existe nos arquivos do capítulo um título de 1290 pelo qual um certo Jacquemet doa à igreja de Santo Urso doze pedaços de terra, dos quais o primeiro estava situado no local chamado Fonte de Santo Urso.
Vê-se um grande número de pessoas acorrer a esta fonte para beber ou levar a água que dela flui, na confiança de receber um alívio em suas enfermidades, confiança frequentemente justificada pelo sucesso.
A profecia e o falecimento
Ours profetiza a morte trágica de Plocéan após este maltratar um servo, antes de ele mesmo falecer pouco depois.
São Ours, cheio de caridade pelo próximo, nunca perdia a oportunidade de prestar serviço aos infelizes que recorriam a ele. Eis um exemplo marcante:
Um criado do bispo Plocéan havia se tornado culpado de uma falta grave pela qual temia ter incorrido na indignação de seu mestre, que ele sabia ser de um temperamento muito irascível. Para escapar do castigo que o aguardava, refugiou-se na igreja de São Pedro, onde, segundo as leis canônicas, deveria gozar de imunidade. São Ours, tendo-o visto ao pé do altar com a aparência de um homem perturbado e desconcertado, aproximou-se dele e pediu-lhe que revelasse confidencialmente o motivo de seu alarme. Este servo, que nada desejava mais do que encontrar um coração compassivo e um protetor, narrou-lhe ingenuamente seu crime e pediu-lhe que intercedesse por ele junto ao bispo. São Ours, que não deixava escapar nenhuma ocasião de prestar serviço aos infelizes, atendeu voluntariamente ao desejo e à súplica do servo, foi imediatamente ao bispo e disse-lhe: «Monseigneur e meu pai, um de seus servos, sabendo que o ofendeu gravemente, veio buscar asilo na igreja de São Pedro; peço-lhe, pelo amor daquele em cujo templo ele se refugiou, que o perdoe». Plocéan, acreditando ser a ocasião favorável para satisfazer sua ira e exercer sua vingança contra seu servo e, sobretudo, contra São Ours, dissimulou habilmente seu desígnio e, afetando um ar de benevolência, disse ao Santo: «Vá, meu irmão, e diga ao meu servo que se apresente a mim com perfeita segurança, nenhum mal lhe será feito». São Ours não teve nada mais urgente do que ir anunciar a esse servo o sucesso de sua embaixada. «Vá», disse-lhe, «apresentar-se ao seu mestre, prometo-lhe que nenhum mal lhe acontecerá». Mas, ao medir o coração de Plocéan pelo seu, São Ours havia se enganado grandemente, pois mal ele havia saído da casa do bispo, quando este ordenou aos seus homens que fossem imediatamente esperar o infeliz servo na saída da igreja e o conduzissem até ele, sob pena de sofrerem eles mesmos os castigos que lhe reservava. Esta ordem foi pontualmente executada. O servo, que, pela palavra de São Ours, contava com a indulgência de seu mestre, foi capturado na porta da igreja e conduzido imediatamente a Plocéan, que, em um acesso de fúria, fê-lo ser cruelmente açoitado da cabeça aos pés, a ponto de quase expirar sob as chicotadas. Em seguida, mandou raspar-lhe os cabelos e verter sobre sua cabeça piche fervente, e o mandou embora no estado mais deplorável. Este infortunado, imaginando que São Ours o havia enganado, sua indignação deu-lhe força suficiente para ir até ele e, na amargura com que seu coração estava dilacerado, dirigiu-lhe esta censura: «Por que, meu pai, enganou-me assim? Era necessário tirar-me da igreja onde eu havia me refugiado para fazer-me cair sob a mão deste cruel tirano? Em vez de me desculpar, entregou-me a um traidor, ao meu mais cruel inimigo. Que o soberano Juiz pronuncie entre vós e mim!»
Uma censura tão amarga, somada ao aspecto dilacerante que o servo apresentava e à insigne má-fé de Plocéan, excitou no coração tão generoso de São Ours o sentimento mais profundo de compaixão e indignação, e, sentindo-se animado por um espírito profético, disse a esse infeliz servo: «Vá encontrar Plocéan e diga-lhe da minha parte: Saiba que em poucos dias morrerá sufocado pelos demônios e arrastado por eles para os infernos. É justo que seja recebido por aqueles a quem serviu ao não temer violar o templo do Senhor». Em seguida, disse ao servo: «Quanto a você, prepare-se para a morte, pois não tardará a seguir seu mestre para receber, um e outro, do soberano Juiz o que mereceram; quanto a mim, segui-lo-ei de perto e serei talvez testemunha do julgamento que será pronunciado sobre sua altercação».
O evento justificou, de fato, a predição do Santo. Plocéan morreu na mesma noite que se seguiu, derrubado de sua cama por uma mão invisível, e expirou assim miseravelmente. O criado, segundo a palavra de São Ours, morreu no mesmo dia. Quanto ao Santo, após ter se preparado para a morte por um redobramento de piedade e fervor, e pelo jejum e a oração, não tardou a entregar sua alma àquele a quem servira com tanta fidelidade.
Representações iconográficas
O santo é tradicionalmente representado com um bordão, um livro e pássaros, símbolos de sua ciência e de sua doçura.
Todos os quadros, todas as estátuas de São Urso, antigos e modernos, representam-no com as insígnias de arquidiácono, isto é, segurando em uma mão o bordão como emblema da autoridade e da jurisdição, e, na outra mão, apertando contra o peito um livro, como símbolo da ciência religiosa que ele devia possuir eminentemente e comunicar aos fiéis. — Representa-se também com pássaros sobre os ombros ou sobre os braços. — Vê-se muito frequentemente em traje religioso, usando cabelos curtos e uma larga tonsura, que reduz sua cabeleira a uma espécie de coroa semelhante à dos reverendos Padres Capuchinhos. Pinta-se por vezes com sandálias, e uma espécie de vestimenta de pele que se conserva em uma grande caixa, envolta em um linho com a inscrição: Vestimenta S. Ursi, vestimentas de São Urso. — Descreve-se ainda golpeando com seu bordão, ou com um bastão, a rocha de onde jorra uma água milagrosa. É assim que ele é representado no capitel de uma coluna de mármore do século XII, colocado no claustro da Colegiada, com a inscrição: Fons S. Ursi. — Há alguns anos, descobriu-se, em um compartimento da igreja de Saint-Christophe, uma frente de altar em madeira esculpida, representando São Urso, rodeado de pobres e distribuindo-lhes calçados.
Expansão do culto
O culto de São Urso estende-se de Aosta à Saboia, ao Piemonte e até à França, nomeadamente em Meyronnes e Montbard.
[ANEXO: CULTO E RELÍQUIAS.]
O nome de São Urso permaneceu ligado não apenas à Congregação de sacerdotes que ele fundou, mas ao local de sua residência; é o burgo de Saint-Ours, assim chamado desde tempos imemoriais. Encontra-se em um ato de 1119, e em outro de 1174. No século XI existia, e não se sabe desde quando, a nobre família de Porta Sancti Ursi, que deu um bispo a Aosta.
Não apenas o burgo, que se formou ao redor do local da residência de São Urso, tomou seu nome, mas também o território adjacente, e este território tornou-se célebre. Pois, no ato passado publicamente em 20 de outubro de 1026 entre o bispo Burchard e Katelme, faz-se menção a uma propriedade situada no território de Saint-Ours, na Itália. Esta terra já era mencionada no ato passado em 1013, pelo qual o sacerdote Létard doa aos Cônegos de Saint-Ours certas propriedades contíguas à terra de Saint-Ours.
Tudo isto prova que, pelo menos no início do século XIV, São Urso estava em plena posse do título de Santo e, consequentemente, era objeto de um culto religioso.
Em toda a diocese de Aosta, São Urso é venerado desde tempos imemoriais; mas o foi, de maneira especial, por um grande número de paróquias.
Temos diante dos olhos uma bula de Alexandre III, de 20 de abril de 1176, na qual ele menciona a paróquia de São Pedro e São Urso de Donnas.
Donnas tinha, portanto, naquela época, São Pedro e São Urso como titulares. Ora, Donnas compreendia então as duas paróquias atuais de Vert e de Pont-Saint-Martin, e assim as populações dessas três paróquias estavam sob o patrocínio de São Urso, no ano de 1184. O ato III conta Perlo e Lasime entre as paróquias que pertenciam ao Capítulo de Saint-Ours. Perlo compreendia então as duas paróquias atuais de Lillianes e de Fontainemore, e Lasime as duas paróquias de Gressoney; essas cinco paróquias não podiam deixar de ser especialmente ligadas ao culto de São Urso.
A antiquíssima paróquia de Derby que, desde 1040, estava sob o patronato dos Capítulos da catedral e de Saint-Ours, também tinha São Urso como padroeiro.
As antigas paróquias de Cogne e de Jovençan sempre tiveram e ainda têm São Urso como padroeiro.
O bem-aventurado Eméry de Quart, em sua constituição de 1307, enumera entre as festas de preceito da diocese a de São Urso.
São Urso, copadroeiro da diocese de Aosta, é celebrado sob o rito de primeira classe com oitava em toda a diocese.
Em Meyronnes, na diocese de Digne, o culto de São Urso remonta aos tempos mais remotos. Mas lá, como em Aosta, é i nfinitame nte lamentável que os arquivos do célebre santuário tenham sido dispersados pelo vento revolucionário. Quantas coisas eles nos ensinariam!
Havia, no local chamado Vieux Saint-Ours, uma capela que, segundo o relato dos antigos, era muito vasta. Ela caiu em ruínas no início do século XVII. Para maior comodidade dos peregrinos e dos habitantes do local, foi reconstruída a um quilômetro de distância, no local chamado Pion Saint-Ours, no meio de uma charmosa aldeia que se tornou a sede da paróquia de Saint-Ours, desde o decreto imperial de 4 de abril de 1835, pelo qual esta seção de Meyronnes foi erigida em sucursal. O culto de São Urso terá muito a ganhar com esta circunstância, pois os peregrinos agora têm a garantia de encontrar um sacerdote no santuário que é o termo, o objetivo de sua peregrinação, e será mais fácil para eles fazerem suas devoções, não apenas no dia da festa principal, mas durante todo o ano.
Um oratório construído no local da antiga capela e uma cruz de pedra lavrada estão lá para perpetuar sua preciosa memória. Lá também há uma fonte que os peregrinos consideram uma lembrança da fonte milagrosa de São Urso.
Eis, a propósito desta peregrinação, o que diz o historiador da diocese de Embrun. Após falar da origem da paróquia de Meyronnes, ele acrescenta:
« O local de Meyronnes é renomado por causa de uma capela sob o título de Saint-Ours, que está em seu território. São Urso, sanctus Ursus, tinha sido preboste (ele deveria dizer fundador) de um Capítulo no Vale de Aosta. Sua memória é de grande veneração, não apenas no vale de Barcelonette, mas também em vários vales no Piemonte. Sempre houve, desde tempos imemoriais, uma capela dedicada em sua honra no distrito de Meyronnes. Mudaram-na de lugar e a reconstruíram em 1773. Ela está atualmente no povoado que chamam de Pion de Saint-Ours. Os fiéis dirigem-se para lá em multidão, no dia 17 de junho, para a festa deste Santo. Os piemonteses acorrem de Val de Maire, de Val de Stura e de Val de Sanpeire. Os franceses não ficam atrás dos piemonteses neste ponto. Vê-se lá uma multidão de pessoas não apenas de Barcelonette, mas também de Embrunais e de Gapençais. O que atrai um concurso tão grande são os milagres que lá ocorreram.
« A lenda de São Urso ensina que, no ano de 1653, foram feitas informações, pela autoridade do arcebispo de Embrun, sobre os milagres operados na capela de Saint-Ours, em Meyronnes, e que foi provado que os chamados Jean Bovis de Meyronnes, Pierre Pautriers de Saunières, povoado de Jousiers, e Boniface Pascal de Allas, todos os três atingidos por paralisia e abandonados pelos médicos, tinham sido curados milagrosamente pela intercessão de São Urso, após terem feito voto a esta capela. No ano de 1719, em 17 de junho, dia da festa do mesmo Santo, uma criança de oito anos, da paróquia de Risout, em Dauphiné, paralítica há quatro anos, foi levada pelos pais a esta solenidade; lá foi curada, levantou-se no instante e caminhou livremente. Do que o pároco da paróquia de Meyronnes fez lavrar um auto que se conserva com cuidado na capela ». Aqui está o relato da história da diocese de Embrun.
Resulta disso que, em Meyronnes, como em Aosta, o culto de São Urso é imemorial.
Na França ainda, na diocese de Langres, a cidade de Montbard, sobre o Brenne, deixou uma multidão de Santos para se apegar a São Urso e honrá-lo como seu padroeiro.
Em Guillerire (Hautes-Alpes), São Urso também tem uma capela que, sob a direção do zeloso Sr. cônego Garnier, será cada vez mais visitada pelos habitantes do local e dos arredores.
Na Saboia, n a dioces e de Annecy, província de Chablais, as paróquias de Bernex e de Vacheresse tiveram, desde tempos imemoriais, São Urso como titular e padroeiro. Essas duas paróquias são muito antigas. Bernex é, por sua posição, muito exposta a inundações; este é provavelmente o motivo que levou a população a se colocar sob a proteção especial de São Urso.
São Urso é ainda conhecido e honrado na paróquia de La-Thuile, dependente da mesma diocese de Annecy.
Na diocese de Ivrea, desde tempos imemoriais, São Urso foi honrado, não apenas como um Santo comum, mas como padroeiro da cidade. Havia uma igreja erigida em sua honra a pouca distância da cidade. Havia também um benefício sob o título de Saint-Ours.
Na mesma diocese, a antiquíssima paróquia de Campiglia, da qual foram desmembradas, em diversos tempos, todas as igrejas de Valseana (Vallis Soquanae), honra, desde tempos imemoriais, São Urso como seu padroeiro e seu Apóstolo.
Na diocese de Vercelli existia já, antes do século XIII, um convento de Saint-Ours fora dos muros da cidade, chamado ora hospital dos Escoceses ou dos Irlandeses, ora convento de Saint-Ours. Este hospital era destinado sobretudo ao serviço dos peregrinos da Irlanda e da Escócia. Encontra-se mencionado como existente até meados do século XII. Resulta dos títulos contemporâneos que ele foi unido ao grande hospital de Vercelli em 27 de agosto de 1343. Mostra-se ainda o local onde ficava este hospital.
Na diocese de Vercelli, não se faz o ofício de São Urso; mas o nome e a invocação do Santo figuram nas antiquíssimas ladainhas usadas antes da introdução do rito romano. Em um necrológio da igreja de Vercelli do século XII, em 1º de fevereiro, são mencionados Santa Brígida e São Urso.
Há, contudo, na diocese de Vercelli, uma paróquia que tem São Urso como padroeiro, é Rongio, perto do grande burgo de Manserano. O pároco do local, interrogado sobre o culto de São Urso em Rongio, responde que o culto é imemorial nesta paróquia e que se nutre ali uma viva confiança em sua proteção.
Na célebre colegiada de Saint-Gaudens, em Novara, venera-se igualmente São Urso.
Na diocese de Turim, faz-se o ofício de São Urso, e na metrópole há um altar onde está um quadro muito antigo, na base do qual se lê sanctus Ursus. Antigamente, em Turim, São Urso era o padroeiro dos curtidores.
Em Sion, no Valais, São Urso figurava já em um missal do século XIII, em 4 de fevereiro, como em Aosta.
As relíquias e a Confissão
Seu corpo repousa na 'Confissão' sob a colegiada de Aosta, em uma urna de prata, enquanto partículas são distribuídas pela Europa.
A antiga igreja dedicada a São Pedro, que São Urso havia servido, foi o local de seu sepultamento. Seu corpo foi depositado em uma capela subterrânea, que ainda existe e que recebeu o nome de Confissão de São Urso. Ela está situada abaixo do grande coro da igreja atual da Colegiada de São Urso. Desce-se até ela por duas escadarias, cada uma com doze degraus de mármore já bem desgastados pelos visitantes. Esta entrada dupla, comum aos monumentos deste gênero, serve para evitar o encontro e a confusão entre aqueles que entram e aqueles que saem. Nove colunas de pedra, cada uma de um único bloco, sustentam a abóbada da capela. Estas colunas são todas de forma romana, semelhantes a várias outras que foram descobertas em diversos momentos; mas diferem quase todas umas das outras pela forma e pela natureza da pedra. Algumas são redondas, outras quadradas, há duas pentagonais, há de mármore de Aymavilles, outras de pedra de arenito, uma de tufo. Há um altar onde se celebra frequentemente a santa missa. O busto de São Urso está exposto sob um pavilhão sustentado por seis colunas de mármore de Aymavilles, de ordem dórica.
A Confissão de São Urso é, desde tempos imemoriais, o título de uma prebenda ou de um benefício que possui seu reitor.
Os arquivos da Colegiada conservam um grande número de pergaminhos que atestam as doações feitas em diversos momentos à capela da Confissão de São Urso. O que prova a grande devoção de nossos ancestrais pelo local que foi o depositário do corpo de nosso santo padroeiro.
Foi neste subterrâneo que o corpo de São Urso permaneceu encerrado em uma urna de madeira com suas vestes e sandálias, até que o prior Guilherme de Lyôles mandou construir, em 1358, às suas próprias custas, uma rica urna de prata destinada a conter este precioso tesouro. Esta urna foi depositada primeiramente em um nicho bastante elevado, feito propositalmente no retábulo do antigo altar-mor, e ali permaneceu até 1738. Então foi construído o grande altar de mármore que existe agora, e reservou-se para o grande relicário de São Urso um espaço feito no próprio altar.
Em todos os tempos, os fiéis professaram por este sagrado depósito uma grande veneração. Eles o valorizam mais do que um tesouro de ouro ou prata.
É a esta disposição que a Colegiada de São Urso deve a felicidade de possuir quase inteiramente o corpo de seu santo fundador. Dizemos quase inteiramente, pois, em diversos momentos, o Capítulo de São Urso consentiu em atender aos vivos pedidos que lhe foram feitos para ter alguma partícula destas preciosas relíquias.
Assim, em 1273, a pedido de Sua Eminência o cardeal Anchéros, passando por Aosta para se dirigir ao Concílio de Lyon, e ao de Dom Aymon de Chaltand, bispo de Aosta, o venerável Capítulo de São Urso, reunido em julho do mesmo ano, deliberou conceder ao reverendo João, do mosteiro de São João, capelão do referido cardeal e pároco da igreja de São Urso em Montbard, diocese de Langres, relíquias de São Urso, que esta cidade adotou desde tempos imemoriais como seu padroeiro. Então, destacou-se com o maior respeito, na presença de todo o convento, uma partícula da cabeça de São Urso. Uniu-se a ela um certificado munido do selo do Capítulo para atestar sua autenticidade, e foi entregue assim ao reverendo pároco de Montbard. Conserva-se, nos arquivos da Colegiada, o ato autêntico que, ao atestar o fato, prova ainda o respeito que se professava, há quinhentos anos, pelas relíquias de São Urso. Sobre o relicário de São Urso, na igreja de Montbard, lê-se: Reliquiæ sancti Ursi patroni hujus urbis e manibus commissariorum. Montbard é uma pequena cidade da Borgonha, sobre o Brenne (Côte d'Or), sede de cantão.
O célebre santuário de São Urso, do qual falamos, que existe desde tempos imemoriais em Meyronnes (Basses-Alpes), onde afluem um número prodigioso de peregrinos, recebeu uma costela do Santo; mas este precioso tesouro foi retirado e levado de volta a Aosta, sendo então recolocado na urna de São Urso. Contudo, o Capítulo de São Urso, para consolar os habitantes de Meyronnes pela perda que tiveram, não tardou a enviar-lhes uma relíquia do Santo. Na Revolução, foi-se obrigado a subtraí-la da fúria dos novos Vândalos e escondê-la sob o assoalho da capela, onde a umidade a reduziu a pó. Em 1835, o Sr. Caire, pároco de Meyronnes, obteve uma nova relíquia; é uma costela, provavelmente a mesma que havia sido concedida e retomada em 1676.
Em Guillestre (Hautes-Alpes), possui-se um pequeno relicário contendo relíquias de São Urso, que foram trazidas de Aosta em 1862.
Podemos ainda colocar no número das relíquias de São Urso o cálice ao qual seu nome permaneceu ligado, porque a tradição sustenta que é aquele que ele mesmo usava para a celebração dos santos mistérios.
Este cálice de prata tem vinte centí metros de altura, dezesseis centímetros de diâmetro; o nó e o pé são guarnecidos com oito pedras preciosas. Vêem-se nele flores-de-lis como as que se notam no mosaico da catedral, que é do século VI. É costume apresentar este cálice às mulheres cujo parto trabalhoso expõe suas vidas e as das crianças.
A Colegiada possui relíquias bem preciosas.
No ano de 1481, nos dias 28 e 29 do mês de dezembro, sob o pontificado de Sisto IV, o ilustríssimo Jorge de Chaltand, prior da Colegiada, com a assistência do Capítulo, procedeu ao reconhecimento das relíquias contidas na sacristia. A maioria estava munida de seu autêntico; foram encerradas em relicár ios, e fez-se um recenseamento que também foi inserido ali.
Eis alguns artigos deste recenseamento:
Temos um dente e alguma outra relíquia do corpo de São Pedro, em cuja honra esta basílica foi instituída. Estas relíquias estão encerradas no busto de prata construído em forma apostólica.
O corpo de São Urso, padroeiro de nossa Colegiada, repousa na grande urna de prata parcialmente dourada. Sua cabeça está encerrada na estátua de prata recém-construída. Existem relíquias suas em vários lugares da diocese e em outros locais.
Abrégé de la Vie de saint Ours, archevêque d'Aoste, por um membro da Colegiada de São Pedro e de São Urso. Aosta, 1868.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Santo Urso de Aosta
Perguntas frequentes sobre Santo Urso de Aosta
Quem foi Santo Urso de Aosta?
Originário da Escócia, Santo Urso tornou-se arquidiácono de Aosta no século VI após ter evangelizado Meyronnes. Defensor da ortodoxia diante do arianismo, fundou a colegiada que leva seu nome para permanecer fiel à fé católica. Reconhecido por sua caridade para com os pobres e seus milagres ligados à água, ele permanece como copadroeiro da diocese de Aosta.
De que Santo Urso de Aosta é santo padroeiro?
Padroados de Santo Urso de Aosta: Aosta, Montbard, Cogne, Jovençan, Bernex, Vacheresse, Campiglia e curtidores (em Turim).
Para que se reza a Santo Urso de Aosta?
Reza-se a Santo Urso de Aosta por: transbordamento de águas, intempéries que ameaçam as colheitas, partos difíceis, batismo de crianças natimortas, dores renais, reumatismo e proteção das crianças.
Como reconhecer Santo Urso de Aosta na arte cristã?
Na iconografia, Santo Urso de Aosta é reconhecível por: bordão (cajado), livro sobre o peito, pássaros nos ombros ou nos braços, tonsura larga, sandálias e vestimenta de pele.
Quais milagres são atribuídos a Santo Urso de Aosta?
5 milagres são atribuídos a este santo, notadamente: Cura, Domínio dos elementos, Sinal / prodígio e Profecia / ciência infusa.
Quais santos foram contemporâneos de Santo Urso de Aosta?
Entre seus contemporâneos figuram: São Remígio (Apóstolo dos Francos), Santo Antídio de Besançon, Santo Eugênio de Cartago e São Nicásio de Reims.
Quando Santo Urso de Aosta morreu?
Santo Urso de Aosta morreu por volta de 600.
Quais são os outros nomes de Santo Urso de Aosta?
Outras formas do nome: Ursus.
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Nascimento na Escócia (ou Irlanda)
- Evangelização de Meyronnes contra o arianismo
- Elevação à dignidade de arquidiácono de Aosta
- Apoio ao bispo Jocondo contra calúnias
- Oposição ao bispo herético Plocéan
- Fundação da Colegiada de São Pedro e São Urso fora das muralhas de Aosta
- Milagre da torrente de Buthier
- Criação da fonte milagrosa com um golpe de cajado
Citações
-
Senhor... ordenai que a chuva cesse e que o rio volte ao seu leito
Tradição local de Aosta