Justino de Jacobis
Padre lazarista italiano, Justino de Jacobis foi o primeiro vigário apostólico da Abissínia: evangelizou o Tigré, formou um clero indígena e morreu no exílio em 1860, após uma vida de humildade missionária.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
5 seçãos de leitura
Biografia
Nascido em 1800 no reino de Nápoles, Justino de Jacobis ingressou nos lazaristas e foi ordenado sacerdote em 1824 antes de partir como missionário para a África.
Giustino de Jacobis nasceu em 9 de outubro de 1800 em San Fele, na província de Potenza (Basilicata), então no reino de Nápoles. Oriundo de uma família numerosa — era um dos quatorze filhos de Giovanni Battista de Jacobis e de Giuseppina Muccia —, foi orientado desde 1818 para a Congregação da Missão, fundada por São Vicente de Paulo, cujos membros são chamados de lazaristas ou vicentinos. Foi ordenado sacerdote em 18 de junho de 1824 na catedral de Brindisi, na Apúlia. Durante seus primeiros anos de ministério, exerceu no sul da Itália, em Monopoli, em Lecce e depois em Nápoles, onde sua caridade para com os enfermos, notadamente durante as epidemias de cólera, foi notada. Em 1839, respondendo a um apelo da Sagrada Congregação da Propaganda, aceitou partir como prefeito apostólico para a missão nascente da Abissínia. Dedicou-lhe o resto de sua vida, até sua morte ocorrida no exílio em 31 de julho de 1860, na região costeira da atual Eritreia.
Vida e obra
Primeiro vigário apostólico da Abissínia, de Jacobis tornou-se próximo do povo etíope, formou um clero indígena e fundou um seminário para a Igreja Católica da Etiópia.
Chegado a Adoua, no Tigré, em outubro de 1839, Justino de Jacobis adotou um método missionário baseado no respeito pela cultura e pelas tradições litúrgicas locais. Aprendeu a língua, viveu pobremente à maneira dos monges etíopes e ganhou a estima das populações, que o chamavam afetuosamente de «Abouna Yaqob» (nosso pai Tiago). Convencido de que o futuro da Igreja na Abissínia repousava sobre um clero autóctone, fundou um seminário que colocou sob o vocábulo da Imaculada — o «Collegio dell'Immacolata» — a fim de formar sacerdotes do país. Entre os seus frutos mais marcantes figura a conversão do monge erudito Ghebre Michael, a quem instruiu e ordenou sacerdote, e que viria a morrer mártir em 1855. De Jacobis estabeleceu centros de missão em vários locais do Tigré e de Akele Guzay. Sagrado bispo titular de Nilópolis em janeiro de 1849 pelo capuchinho Guglielmo Massaia, tornou-se vigário apostólico da Abissínia. A sua obra lançou as bases das atuais Igrejas católicas etíope e eritreia de rito alexandrino.
Caminho para a santidade
Humildade, pobreza evangélica e zelo apostólico caracterizaram de Jacobis, que suportou sem amargura a hostilidade, a prisão e o exílio.
A santidade de Justino de Jacobis manifestou-se sobretudo na humildade e na paciência diante da adversidade. Preferindo a persuasão à polêmica, privilegiou sempre uma abordagem respeitosa em relação aos cristãos coptas etíopes separados de Roma, assim como às comunidades muçulmanas, buscando aproximar em vez de opor. O desenvolvimento da missão católica suscitou, contudo, a hostilidade do patriarca ortodoxo Abuna Salama e, posteriormente, do imperador Teodoro II. De Jacobis foi preso e, depois, forçado ao exílio. Suportou essas provações sem renunciar ao seu ministério, continuando a evangelizar e a apoiar os seus sacerdotes até ao esgotamento das suas forças. Por ocasião da sua canonização, o Papa Paulo VI destacou dois traços do seu apostolado: a formação de um clero indígena e a sua preocupação com a unidade fraterna com os cristãos separados. A sua reputação de santidade, já viva durante a sua vida entre o povo etíope que o venerava como um pai, confirmou-se após a sua morte e conduziu à abertura da sua causa.
Beatificação e canonização
Justino de Jacobis foi beatificado em 1939 por Pio XII e canonizado em 26 de outubro de 1975 por Paulo VI; sua festa é celebrada em 31 de julho.
A fama de santidade de Justino de Jacobis levou a Igreja a instruir sua causa. Ele foi beatificado em 1939 pelo Papa Pio XII — segundo as fontes, em 25 de junho de 1939, na Basílica de São Pedro. Sua canonização foi pronunciada pelo Papa Paulo VI em 26 de outubro de 1975, durante o Ano Santo, na Praça de São Pedro. Em sua homilia, Paulo VI apresentou-o como o pastor que regenerou a Etiópia cristã na plenitude da fé recebida de São Frumêncio no século IV, e louvou particularmente seu zelo pela formação do clero local e seu espírito de abertura ecumênica. Sua memória litúrgica é celebrada em 31 de julho, dia do aniversário de sua morte. Ele é honrado não apenas pela Congregação da Missão, da qual é um dos santos, mas também pelas Igrejas católicas da Etiópia e da Eritreia, que o consideram um de seus pais fundadores.
Espiritualidade e herança
De Jacobis é considerado um dos fundadores das Igrejas católicas etíope e eritreia e permanece uma figura de referência da inculturação missionária.
A herança de Justino de Jacobis mede-se, primeiramente, pela vitalidade das comunidades católicas de rito alexandrino que ele contribuiu para fazer nascer: as Igrejas católicas etíope e eritreia veneram-no como um dos seus pais. O seu método — respeito pela liturgia e pela cultura locais, prioridade dada à formação de um clero autóctone, recusa da polêmica — é frequentemente citado como um modelo precoce de inculturação e de diálogo com os cristãos orientais. No seio da família vicentina, ele é honrado como um dos santos da Congregação da Missão, e a sua festa, em 31 de julho, é ali celebrada. A memória do «Abouna Yaqob» permanece particularmente viva na Etiópia e na Eritreia, onde paróquias e instituições perpetuam a sua lembrança. A sua figura está associada à do beato Ghebre Michael, seu discípulo e primeiro sacerdote indígena mártir, cuja causa permanece ligada à sua obra missionária.
Perguntas frequentes sobre Justino de Jacobis
Quem foi Justino de Jacobis?
Padre lazarista italiano, Justino de Jacobis foi o primeiro vigário apostólico da Abissínia: evangelizou o Tigré, formou um clero indígena e morreu no exílio em 1860, após uma vida de humildade missionária.
Quais santos foram contemporâneos de Justino de Jacobis?
Entre seus contemporâneos figuram: Jesús María Echavarría Aguirre, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Narcisa de Jesús e Juan de Jesús López y González.
Quando Justino de Jacobis morreu?
Justino de Jacobis morreu por volta de 1860.
Quais são os outros nomes de Justino de Jacobis?
Outras formas do nome: Giustino de Jacobis, Justin de Jacobis e Abouna Yaqob.
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1800-1860
- Canonização em 1975 por Paulo VI