Noël Pinot
Padre francês e mártir da Revolução, o bem-aventurado Noël Pinot foi guilhotinado em Angers em 1794 por ter se recusado a prestar juramento à Constituição Civil do Clero.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
5 seçãos de leitura
Biografia
Juventude, formação e início do ministério sacerdotal de Noël Pinot em Angers e seus arredores.
O bem-aventurado Noël Pinot nasceu em 19 de dezembro de 1747 em Angers, na França. Ele era o décimo sexto e último filho de uma família de tecelões profundamente cristã. Órfão de pai aos oito anos de idade, entrou no seminário de Angers para realizar seus estudos eclesiásticos. Foi ordenado sacerdote em 22 de dezembro de 1770. Após sua ordenação, exerceu primeiramente seu ministério como vigário nas paróquias de Bousse, de Coutures e, depois, de Corzé. Em agosto de 1781, foi nomeado capelão do hospício dos Incuráveis em Angers, onde se distinguiu por sua dedicação aos enfermos. Em setembro de 1788, tornou-se o pároco da paróquia de Louroux-Béconnais.
Vida e obra
O ministério do abade Pinot em Louroux-Béconnais diante das agitações da Revolução Francesa.
Em Louroux-Béconnais, o abade Noël Pinot dedicou-se a revitalizar espiritualmente sua paróquia por meio de sua piedade, suas pregações e sua caridade ativa. No entanto, a Revolução Francesa veio a perturbar seu ministério. Em 1790, a Assembleia Constituinte votou a Constituição Civil do Clero, exigindo dos padres um juramento de fidelidade à Nação e à lei civil, o que equivalia a romper a unidade com o Papa. Enquanto seu vigário, Mathurin Garanger, prestou inicialmente esse juramento, o abade Pinot opôs-se firmemente a ele. No domingo, 23 de janeiro de 1791, recusou publicamente prestar o juramento cismático, afirmando que sua autoridade espiritual não provinha do poder civil, mas de Deus. Acusado pela municipalidade revolucionária de oposição à lei, foi preso em 5 de março de 1791 e condenado ao exílio pelo tribunal distrital, com a proibição de aproximar-se a menos de oito léguas de sua paróquia. Retirou-se então para a clandestinidade, notadamente em Beaupréau.
Caminho para a santidade
O retorno clandestino do abade Pinot, sua prisão em Milandrie e sua condenação à morte.
Em 1793, aproveitando-se da revolta da Vendeia, o abade Pinot retornou secretamente a Louroux-Béconnais para apoiar seus paroquianos privados de um pastor legítimo. Vestido como camponês para escapar das buscas, ele percorria o campo à noite, celebrando a missa e administrando os sacramentos em celeiros e casas amigas. Sua clandestinidade terminou na noite de 8 de fevereiro de 1794. Denunciado por um habitante a quem ele havia ajudado no passado, foi surpreendido pelos soldados republicanos na fazenda de Milandrie enquanto se preparava para celebrar a missa. Os soldados o descobriram escondido em um baú de madeira no sótão. Preso enquanto vestia seus ornamentos sacerdotais, foi arrastado sob insultos e golpes até Angers. Após doze dias de aprisionamento, compareceu perante a Comissão Militar Revolucionária de Angers. O presidente do tribunal, um padre apóstata chamado Roussel, condenou-o à morte. Por escárnio ou provocação, o juiz propôs que ele subisse ao cadafalso revestido com suas vestes litúrgicas. O abade Pinot aceitou com alegria, vendo nisso uma imensa consolação.
Beatificação e canonização
A execução de Noël Pinot em Angers e seu reconhecimento oficial como mártir pela Igreja.
Na sexta-feira, 21 de fevereiro de 1794, por volta das 15 horas, o abade Noël Pinot foi conduzido à guilhotina erguida na praça do Ralliement em Angers. Vestido com seus paramentos sacerdotais (alva, estola, casula), ele subiu os degraus do cadafalso recitando as primeiras orações da missa: «Introibo ad altare Dei» («Aproximar-me-ei do altar de Deus»). Foi executado aos 46 anos de idade. O processo para sua beatificação foi aberto em 1864 pelo bispo de Angers, Dom Guillaume Angebault. Em 3 de junho de 1926, o Papa Pio XI promulgou o decreto reconhecendo seu martírio por ódio à fé (odium fidei). Noël Pinot foi solenemente beatificado pelo Papa Pio XI em 31 de outubro de 1926 no Vaticano. Sua festa litúrgica é celebrada em 21 de fevereiro, dia de seu nascimento no Céu.
Espiritualidade e legado
O alcance espiritual do sacrifício de Noël Pinot e a perenidade de sua memória em Anjou.
A espiritualidade do bem-aventurado Noël Pinot repousa sobre uma fidelidade absoluta a Cristo, à Igreja e à Sé Apostólica, vivida até a entrega total de sua vida. Ao subir ao cadafalso revestido com suas vestes de celebrante, ele uniu intimamente seu próprio sacrifício ao de Cristo na Cruz, transformando a guilhotina em um altar de oferta. Hoje, sua memória permanece particularmente viva em Anjou. A paróquia de Louroux-Béconnais leva seu nome. O oratório Bem-aventurado Noël Pinot em Angers, assim como o santuário de Milandrie, perpetuam sua lembrança e permanecem locais de oração, notadamente pelas vocações sacerdotais. Em 1984, durante a beatificação dos 99 mártires de Angers, o Papa João Paulo II recordou a figura exemplar do abade Pinot, primeiro mártir deste grupo a ter sido elevado aos altares.
Iconografia
Sinais e atributos
Perguntas frequentes sobre Noël Pinot
Quem foi Noël Pinot?
Padre francês e mártir da Revolução, o bem-aventurado Noël Pinot foi guilhotinado em Angers em 1794 por ter se recusado a prestar juramento à Constituição Civil do Clero.
Para que se reza a Noël Pinot?
Reza-se a Noël Pinot por: vocations sacerdotales e vocações sacerdotais.
Como reconhecer Noël Pinot na arte cristã?
Na iconografia, Noël Pinot é reconhecível por: paramentos sacerdotais, alva, estola e casula.
Como Noël Pinot morreu?
Noël Pinot sofreu o martírio pela fé cristã (18.º século).
Quais santos foram contemporâneos de Noël Pinot?
Entre seus contemporâneos figuram: Venerável Inês de Jesus, Beata Maria Ana de Jesus, Santo Afonso Maria de Ligório e Santa Maria Francisca das Cinco Chagas de Jesus.
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1794
- Beatificação em 1926 pelo Papa Pio XI
Citações
-
Introibo ad altare Dei
https://vertexaisearch.cloud.google.com/grounding-api-redirect/AUZIYQHLDzVMQ-YUcjFg4LHL53XZkocLqJwxKIN3PNKkTWjcGbp9Z3l79qwOBxhrknL5NS5O3g6DYy0yBmou52nCNH729I1F9jaFbhYKOdPfa_KQP2g_xOeP4lcssGT44xruCJqyeQ==