Santa Emília de Villeneuve
Joana-Emília de Villeneuve (1811-1854), aristocrata de Toulouse, fundou em 1836 a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Castres, conhecidas como "Irmãs Azuis", a serviço dos pobres, dos doentes e dos detentos. Morta de cólera, foi canonizada pelo Papa Francisco em 2015.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Nascida em Toulouse em 1811 em uma família da nobreza, Jeanne-Émilie de Villeneuve renunciou a uma vida de privilégios para se dedicar a Deus e aos mais necessitados em Castres.
Jeanne-Émilie de Villeneuve nasceu em 9 de março de 1811 em Toulouse e foi batizada em 11 de março na paróquia de Saint-Étienne. Ela era a terceira dos quatro filhos do conde Jacques-Louis de Villeneuve, ex-oficial da marinha, e de Jeanne-Gabrielle-Rosalie d'Avessens, proveniente de uma família da nobreza togada. Devido à saúde frágil de sua mãe, a família instalou-se no castelo de Hauterive, perto de Castres, no Tarn. A infância de Émilie foi marcada pelo luto: perdeu a mãe em 1825, depois sua irmã mais velha Octavie em 1828, e recebeu a partir de então uma educação cristã profunda, fazendo sua primeira comunhão por volta dos quinze anos. Tornando-se uma jovem mulher, ela poderia aspirar a um casamento brilhante, mas sentiu-se chamada a servir os pobres que povoavam os subúrbios operários de Castres. Superando as reticências de seu entorno, decidiu consagrar sua vida a Deus e aos mais necessitados. Faleceu em Castres em 2 de outubro de 1854, aos quarenta e três anos, vítima da epidemia de cólera que atingia a cidade na época.
Vida e obra
Em 8 de dezembro de 1836, Émilie de Villeneuve fundou em Castres a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, dedicada ao serviço dos pobres, dos doentes e dos prisioneiros.
Em 8 de dezembro de 1836, festa da Imaculada Conceição, Émilie de Villeneuve veste o hábito religioso com duas companheiras e assume o nome de irmã Maria, fundando assim a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Castres. Devido à cor de seu hábito, as religiosas são logo apelidadas de «Irmãs Azuis». O instituto coloca-se desde o início ao serviço dos mais pobres da cidade industrial de Castres: Émilie abre, já em 19 de março de 1837, uma primeira oficina acolhendo jovens operárias, depois multiplica as obras de caridade em direção aos doentes, às crianças a instruir, aos prisioneiros visitados na prisão e às mulheres em dificuldade, para as quais cria um Refúgio em julho de 1846. Animada por um impulso missionário, envia, já em dezembro de 1847, um primeiro grupo de irmãs ao Senegal, abrindo caminho para uma presença da congregação na África. Eleita superiora geral, dirige o instituto até escolher, pouco antes de sua morte, renunciar ao seu cargo para melhor se preparar para a eternidade. O lema que deixa às suas filhas, «Deus só», resume o espírito de abandono e de confiança que inspirou toda a sua obra.
Caminhada rumo à santidade
A espiritualidade de Émilie de Villeneuve, marcada pelo abandono a Deus e pela caridade para com os mais desprezados, valeu-lhe uma sólida reputação de santidade reconhecida ainda em vida.
A santidade de Émilie de Villeneuve enraíza-se em uma espiritualidade de abandono e confiança em Deus, vivida no serviço concreto aos mais pobres e aos mais desprezados. Marcada por uma devoção profunda à Imaculada Conceição, ela via em cada pessoa socorrida um rosto de Cristo. Sua caridade estendia-se deliberadamente àqueles que a sociedade mantinha à distância: os detentos, as prostitutas, as mulheres caídas. Ela recomendava às suas irmãs um respeito absoluto para com essas pessoas, pedindo-lhes que nunca demonstrassem, em relação às penitentes, «nem impaciência, nem desgosto por sua companhia, nem desprezo por suas pessoas». Reconhecida por sua humildade, sua doçura e seu espírito de oração, ela se dedicou sem reservas até dar a sua vida cuidando dos doentes de cólera. O reconhecimento da heroicidade de suas virtudes pelo Papa João Paulo II, em 6 de julho de 1991, veio consagrar oficialmente uma reputação de santidade que a devoção popular mantinha desde sua morte, tanto em Castres quanto nos países onde suas irmãs haviam levado sua obra.
Beatificação e canonização
Beatificada em 2009 sob Bento XVI e canonizada pelo Papa Francisco em 17 de maio de 2015, Émilie de Villeneuve é celebrada em 2 de outubro, tendo sido reconhecidas duas curas milagrosas para a sua causa.
Após o reconhecimento da heroicidade de suas virtudes em 1991, a causa de Émilie de Villeneuve culminou graças a duas curas consideradas cientificamente inexplicáveis. O primeiro milagre, aceito para a beatificação, é a cura, em 1995 em Barcelona, de Binta Diaby, uma jovem africana de confissão muçulmana acometida por uma peritonite aguda, restabelecida após as Irmãs Azuis terem rezado por ela. Jeanne-Émilie de Villeneuve foi proclamada beata em 5 de julho de 2009 em Castres, durante uma celebração presidida, em nome do Papa Bento XVI, pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. O segundo milagre, exigido para a canonização, diz respeito a Emilly Maria de Souza, uma menina brasileira de Orocó (Pernambuco), vítima em maio de 2008, aos nove meses de idade, de uma eletrocussão seguida de uma parada cardiorrespiratória prolongada, e curada de maneira completa após uma novena à fundadora. O Papa Francisco canonizou Émilie de Villeneuve em 17 de maio de 2015, na Praça de São Pedro em Roma, juntamente com outras três beatas. Sua memória litúrgica está fixada em 2 de outubro, dia de sua morte; a diocese de Albi e a congregação a celebram em 3 de outubro, sendo o dia 2 de outubro ocupado pela festa dos Santos Anjos da Guarda.
Espiritualidade e herança
O instituto fundado por Émilie de Villeneuve perpetua seu carisma de serviço aos pobres em vários continentes, e seu túmulo em Castres permanece um local de peregrinação.
A herança de Émilie de Villeneuve se prolonga através da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Castres, que se espalhou muito além da França. Fiéis ao impulso missionário de sua fundadora, as Irmãs Azuis estão hoje presentes em vários continentes, na Europa, na África, na América Latina e na Ásia, onde continuam sua obra de educação, cuidado dos enfermos e serviço aos mais necessitados segundo o lema "Deus só". O corpo da santa está conservado em Castres, na casa-mãe da congregação, que permanece um local de memória e de peregrinação tanto para suas filhas espirituais quanto para os fiéis. Figura marcante do renascimento religioso e missionário do século XIX francês, Émilie de Villeneuve é honrada como um modelo de caridade para com os excluídos; seu exemplo foi sublinhado pelo Papa Francisco, que recordou durante sua canonização que ela havia consagrado sua vida a Deus e aos pobres, aos doentes, aos prisioneiros e aos explorados, tornando-se para todos "um sinal concreto do amor misericordioso do Senhor".
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Santa Emília de Villeneuve
Perguntas frequentes sobre Santa Emília de Villeneuve
Quem foi Santa Emília de Villeneuve?
Joana-Emília de Villeneuve (1811-1854), aristocrata de Toulouse, fundou em 1836 a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Castres, conhecidas como "Irmãs Azuis", a serviço dos pobres, dos doentes e dos detentos. Morta de cólera, foi canonizada pelo Papa Francisco em 2015.
Quais milagres são atribuídos a Santa Emília de Villeneuve?
2 milagres são atribuídos a este santo, notadamente: Cura.
Quais santos foram contemporâneos de Santa Emília de Villeneuve?
Entre seus contemporâneos figuram: Jesús María Echavarría Aguirre, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Narcisa de Jesús e Juan de Jesús López y González.
Quando Santa Emília de Villeneuve morreu?
Santa Emília de Villeneuve morreu por volta de 1854.
Quais são os outros nomes de Santa Emília de Villeneuve?
Outras formas do nome: Jeanne-Émilie de Villeneuve, Émilie de Villeneuve, Giovanna Emilia de Villeneuve e Émilie de Villeneuve.
Quem são os familiares de Santa Emília de Villeneuve?
Familiares de Santa Emília de Villeneuve: Jacques-Louis de Villeneuve (Pai, conde de Villeneuve) e Jeanne-Gabrielle-Rosalie d'Avessens (Mãe).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1854
- Canonização em 2015 pelo Papa Francisco
Citações
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É muito importante que as Irmãs nunca demonstrem, para com as penitentes, nem impaciência, nem desgosto pela sua companhia, nem desprezo pelas suas pessoas.
https://www.causesanti.va/it/santi-e-beati/jeanne-emilie-de-villeneuve.html