Maria Clara do Menino Jesus
Beata portuguesa (1843-1899), fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, dedicada ao serviço dos mais pobres.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Nascimento de Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque em 1843 em Portugal, sua juventude marcada pela perda de seus pais e sua entrada na vida religiosa sob o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus.
Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque nasceu em 15 de junho de 1843 na Quinta do Bosque, em Amadora, perto de Lisboa, no seio de uma família da alta nobreza portuguesa. Ela é filha de Nuno Tomás de Mascarenhas Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque e de Maria da Purificação de Sá Carneiro Duarte Ferreira. Batizada em 2 de setembro de 1843 na igreja de Nossa Senhora do Amparo em Benfica, ela cresceu em um ambiente profundamente cristão.
No entanto, sua adolescência foi marcada por dolorosas provações. Sua mãe morreu de cólera em 30 de maio de 1856, e seu pai sucumbiu à febre amarela em dezembro de 1857. Tornando-se órfã aos 14 anos, Libânia foi admitida em outubro de 1857 no Internato Real da Ajuda, um estabelecimento destinado a órfãs de famílias nobres, então dirigido pelas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo.
Em maio de 1862, devido às leis anticlericais em vigor em Portugal, as religiosas francesas foram expulsas do país. Libânia teve que deixar o internato e foi acolhida pelos marqueses de Valada, com quem viveu durante cinco anos em meio ao luxo e à mundanidade. Sentindo um chamado interior persistente para uma vida consagrada aos pobres, ela deixou essa vida privilegiada em 1867 para entrar como pensionista no Pensionato de São Patrício em Lisboa. Este local, dirigido pelas Irmãs Capuchinhas de Nossa Senhora da Conceição, estava sob a direção espiritual do padre franciscano Raimundo dos Anjos Beirão. Em 1869, ela recebeu ali o hábito capuchinho e tomou o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus.
Vida e obra
O noviciado da Irmã Maria Clara em Calais, a fundação da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição e sua dedicação excepcional aos mais necessitados em Portugal.
A legislação liberal portuguesa, que na época proibia a pronúncia de votos religiosos em solo nacional, levou o padre Raimundo dos Anjos Beirão a decidir enviar a Irmã Maria Clara à França para realizar seu noviciado. Em 10 de fevereiro de 1870, ela chegou ao convento de Nossa Senhora das Sete Dores em Calais, junto às Irmãs Franciscanas de Calais. Esta estadia teve como objetivo proporcionar-lhe a formação necessária para fundar posteriormente uma nova congregação especificamente portuguesa, capaz de responder aos graves problemas sociais de seu país.
Ela pronunciou seus votos religiosos em Calais em 14 de abril de 1871 e retornou a Portugal em 1º de maio do mesmo ano. Já em 3 de maio de 1871, fundou a primeira comunidade em São Patrício, Lisboa. Esta fundação marcou o nascimento da Congregação das Irmãs Hospitaleiras dos Pobres por Amor de Deus, que mais tarde adotaria o nome de Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC).
O instituto recebeu a aprovação do governo civil de Lisboa em 22 de maio de 1874, e posteriormente a aprovação pontifícia oficial do Papa Pio IX em 27 de março de 1876, por meio do rescrito Sanctissimus Dominus.
Como superiora geral, a Irmã Maria Clara dirigiu a congregação por quase trinta anos, enfrentando um clima político e social frequentemente hostil às ordens religiosas. Sob sua direção enérgica e materna, o instituto conheceu um desenvolvimento notável. As irmãs dedicaram-se incansavelmente aos doentes, órfãos, idosos e aos mais necessitados. À morte da fundadora em 1899, a congregação administrava numerosas obras de caridade por todo Portugal, incluindo 44 hospitais, 41 escolas primárias e secundárias, 35 lares para inválidos e crianças, além de creches, refeitórios populares e hospícios.
A Irmã Maria Clara faleceu em 1º de dezembro de 1899 no Convento das Trinas, em Lisboa. Seus restos mortais repousam hoje na cripta da casa-mãe da congregação em Linda-a-Pastora, perto de Lisboa.
Caminho para a santidade
A reputação de santidade da Madre Clara e a abertura tardia da sua causa de canonização em Lisboa, culminando no reconhecimento das suas virtudes heroicas pelo Papa Bento XVI.
A reputação de santidade da Irmã Maria Clara, carinhosamente chamada de «Mãe Clara» pelo povo, manteve-se muito tempo após a sua morte. Contudo, devido ao contexto político instável em Portugal no início do século XX, a introdução oficial da sua causa de canonização foi retardada.
O processo diocesano foi oficialmente aberto a 18 de dezembro de 1995 pelo patriarcado de Lisboa, após a Santa Sé ter concedido o decreto de Nihil Obstat a 21 de agosto de 1995. Após o exame minucioso da sua vida e dos seus escritos, a Positio foi aprovada pela Congregação para as Causas dos Santos.
A 6 de dezembro de 2008, o Papa Bento XVI assinou o decreto reconhecendo a heroicidade das suas virtudes, conferindo-lhe assim o título de Venerável.
Beatificação e canonização
O reconhecimento do milagre da cura de Georgina Troncoso Monteagudo e a celebração solene da beatificação de Maria Clara do Menino Jesus em Lisboa em 2011.
A beatificação da venerável Maria Clara do Menino Jesus foi possível graças ao reconhecimento oficial de um milagre atribuído à sua intercessão. O milagre diz respeito à cura inexplicável de Georgina Troncoso Monteagudo, uma cidadã espanhola originária de Baiona (província de Pontevedra, Espanha). Esta sofria há 34 anos de um pioderma gangrenoso (pyoderma gangrenosum), uma doença cutânea ulcerosa grave e extremamente dolorosa que lhe paralisava o braço. Em 1998, ela peregrinou ao túmulo da Madre Clara em Linda-a-Pastora para implorar a sua cura. No dia 12 de novembro de 2003, ela foi instantânea e completamente curada desta afecção crônica.
Após investigação médica e teológica, o decreto que aprova este milagre foi promulgado pelo Papa Bento XVI em 10 de dezembro de 2010.
A cerimônia solene de beatificação ocorreu no dia 21 de maio de 2011 no Estádio do Restelo, em Lisboa. A missa foi presidida pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, representando o Papa Bento XVI. Durante o Regina Caeli de 22 de maio de 2011, o Papa Bento XVI expressou a sua alegria por esta beatificação, recordando que a nova beata tinha ensinado às suas irmãs a «iluminar e aquecer» a multidão dos pobres.
Espiritualidade e legado
A espiritualidade franciscana da Madre Clara, o seu lema «Alumiar e aquecer», a perenidade da sua obra através da CONFHIC e a sua designação como padroeira da JMJ de Lisboa em 2023.
A espiritualidade da beata Maria Clara do Menino Jesus está profundamente ancorada no carisma franciscano de pobreza, humildade e confiança absoluta na Divina Providência. A sua ação era guiada por um amor apaixonado por Cristo sofredor, a quem contemplava e servia através dos rostos dos mais pobres e dos excluídos da sociedade.
Apelidada de «Mãe dos Pobres» ou «Irmã dos Pobres», deixou à sua família religiosa uma consigna espiritual que se tornou o seu lema: «Alumiar e aquecer». Para ela, a hospitalidade não era apenas uma assistência material, mas uma manifestação concreta da ternura e da misericórdia de Deus.
Hoje, o seu legado espiritual e apostólico é perpetuado pela Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC), presente em vários países ao redor do mundo. Em reconhecimento da sua irradiação espiritual junto das novas gerações, a beata Maria Clara do Menino Jesus foi escolhida pelo Papa Francisco como uma das santas padroeiras da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Lisboa em 2023.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Maria Clara do Menino Jesus
Perguntas frequentes sobre Maria Clara do Menino Jesus
Quem foi Maria Clara do Menino Jesus?
Beata portuguesa (1843-1899), fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, dedicada ao serviço dos mais pobres.
De que Maria Clara do Menino Jesus é santo padroeiro?
Padroados de Maria Clara do Menino Jesus: Journées Mondiales de la Jeunesse (JMJ) de Lisbonne en 2023 e Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Lisboa em 2023.
Quais milagres são atribuídos a Maria Clara do Menino Jesus?
1 milagre são atribuídos a este santo, notadamente: Cura.
Quais santos foram contemporâneos de Maria Clara do Menino Jesus?
Entre seus contemporâneos figuram: Jesús María Echavarría Aguirre, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Narcisa de Jesús e Juan de Jesús López y González.
Quando Maria Clara do Menino Jesus morreu?
Maria Clara do Menino Jesus morreu por volta de 1899.
Quais são os outros nomes de Maria Clara do Menino Jesus?
Outras formas do nome: Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque e Mãe Clara.
Quem são os familiares de Maria Clara do Menino Jesus?
Familiares de Maria Clara do Menino Jesus: Nuno Tomás de Mascarenhas Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque (pai) e Maria da Purificação de Sá Carneiro Duarte Ferreira (mãe).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1899
- Beatificação em 2011 pelo Papa Bento XVI