Religiosa da Congregação do Bom Pastor, ela inspirou o Papa Leão XIII a realizar a consagração do gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Nascimento de Maria Droste zu Vischering em Münster no seio de uma família nobre e piedosa, e seus primeiros anos marcados pelo chamado divino.
A bem-aventurada Maria do Divino Coração (Maria Droste zu Vischering) nasceu em 8 de setembro de 1863 no palácio Erbdrostenhof em Münster, na Alemanha. Proveniente de uma ilustre família da alta nobreza da Vestfália, ela é filha do conde Clemens Heidenreich Droste zu Vischering e da condessa Hélène von Galen. Cresceu com seu irmão gêmeo, Max, no castelo de Darfeld. Sua família é profundamente católica e se distingue por sua fidelidade à Igreja durante o período difícil do Kulturkampf conduzido pelo chanceler Bismarck. Ela é também prima em primeiro grau do bem-aventurado Clemens August von Galen, o célebre bispo de Münster. Desde a infância, Maria manifesta um temperamento vivo, enérgico e determinado. Recebe sua primeira comunhão em 25 de abril de 1875 e sua crisma em 8 de julho do mesmo ano, dia em que sente pela primeira vez um chamado interior para consagrar sua vida a Deus. Após ter prosseguido seus estudos com as Damas do Sagrado Coração em Riedenbourg, é atingida por uma pneumonia que a obriga a retornar para sua família para convalescença. É em junho de 1883, na capela do castelo de Darfeld, que ela percebe uma locução interior de Cristo dizendo-lhe: «Tu serás a esposa do meu Coração».
Vida e obra
Entrada de Maria nas Irmãs do Bom Pastor, sua missão no Porto, em Portugal, e sua dedicação apesar da doença.
Em 21 de novembro de 1888, aos 25 anos, Maria entrou no convento da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor em Münster. Durante sua tomada de hábito em 10 de janeiro de 1889, recebeu o nome de Irmã Maria do Divino Coração. Pronunciou seus votos em 29 de janeiro de 1891 e foi incumbida da direção da seção das jovens confiadas ao convento de Münster. Em 1894, foi enviada em missão a Portugal. Após uma breve passagem por Lisboa, foi nomeada superiora do convento do Bom Pastor no Porto em 15 de maio de 1894. Em um contexto social e político marcado por um anticlericalismo crescente, dirigiu a comunidade com coragem e caridade, cuidando de mais de 130 jovens em dificuldade. A partir de 1896, sua saúde declinou gravemente. Foi acometida por uma doença da medula espinhal (o mal de Pott ou tuberculose da coluna vertebral) que a paralisou progressivamente e a confinou ao leito em atrozes sofrimentos. Apesar de sua paralisia, continuou a governar sua comunidade e a conduzir um intenso apostolado por meio da correspondência e da oração.
Caminho para a santidade
Revelações místicas da Irmã Maria do Divino Coração e seu papel crucial na consagração do mundo ao Sagrado Coração pelo Papa Leão XIII.
É a partir de seu leito de sofrimento no Porto que a Irmã Maria do Divino Coração recebe revelações místicas relativas à devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Ela compreende que Cristo lhe pede para interceder junto ao Papa para que o mundo inteiro seja consagrado ao seu Divino Coração. Obedecendo a este pedido divino, ela escreve duas cartas ao Papa Leão XIII, em junho de 1898 e em janeiro de 1899. Profundamente tocado por estes escritos, o Papa Leão XIII decide realizar esta consagração. Em 25 de maio de 1899, ele publica a encíclica Annum Sacrum, prescrevendo a consagração de todo o gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus para o dia 11 de junho de 1899. A Irmã Maria do Divino Coração oferece suas últimas forças e seus sofrimentos extremos para a realização desta consagração. Na manhã de 8 de junho de 1899, ela recebe dois exemplares da encíclica Annum Sacrum enviados pelo Papa. Sua missão estando cumprida, ela falece pacificamente no mesmo dia, 8 de junho de 1899, às 15 horas, no Porto, no início do tríduo preparatório para a consagração universal.
Beatificação e canonização
O processo de beatificação da Irmã Maria do Divino Coração, o reconhecimento de um milagre e sua beatificação pelo Papa Paulo VI em 1975.
A causa de beatificação da Irmã Maria do Divino Coração foi introduzida oficialmente em 1921. Ela foi declarada Venerável pelo Papa Paulo VI em 13 de fevereiro de 1964. O milagre aceito para sua beatificação foi a cura de uma jovem, ocorrida no Porto na noite de 6 para 7 de dezembro de 1952. Acometida por uma peritonite extremamente grave e uma meningite terminal, a jovem foi curada de maneira cientificamente inexplicável após a intercessão da venerável Irmã Maria do Divino Coração ter sido invocada. Este milagre foi oficialmente reconhecido por um decreto da Congregação para as Causas dos Santos em 3 de outubro de 1975. A Irmã Maria do Divino Coração foi beatificada pelo Papa Paulo VI em 1º de novembro de 1975, na solenidade de Todos os Santos, na Praça de São Pedro, no Vaticano. Seu corpo, descoberto intacto e incorrupto durante as exumações, repousa hoje em uma urna exposta à veneração dos fiéis na Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Ermesinde, no norte de Portugal.
Espiritualidade e legado
Uma espiritualidade eucarística e reparadora, e o legado de uma caridade heroica para com os mais abandonados.
A espiritualidade da bem-aventurada Maria do Divino Coração é profundamente eucarística e reparadora. Ela escrevia: "Eu nunca poderia separar a devoção ao Coração de Jesus da devoção ao Santíssimo Sacramento". Para ela, o amor ao Sagrado Coração não podia ser concebido sem um espírito de sacrifício e de oferta de si mesmo para a salvação das almas. O seu legado reside principalmente no seu papel de mensageira da consagração do mundo ao Sagrado Coração, um ato que marcou a história da devoção católica na virada do século XX. Ela deixa também o exemplo de uma caridade heroica para com as jovens mais abandonadas, vendo em cada uma delas a dignidade de um filho de Deus a ser salvo e amado.
Perguntas frequentes sobre Maria do Divino Coração (Droste)
Quem foi Maria do Divino Coração (Droste)?
Religiosa da Congregação do Bom Pastor, ela inspirou o Papa Leão XIII a realizar a consagração do gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus.
Quais santos foram contemporâneos de Maria do Divino Coração (Droste)?
Entre seus contemporâneos figuram: Jesús María Echavarría Aguirre, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Narcisa de Jesús e Juan de Jesús López y González.
Quando Maria do Divino Coração (Droste) morreu?
Maria do Divino Coração (Droste) morreu por volta de 1899.
Quais são os outros nomes de Maria do Divino Coração (Droste)?
Outras formas do nome: Maria Droste zu Vischering e Sœur Marie du Divin Cœur.
Quem são os familiares de Maria do Divino Coração (Droste)?
Familiares de Maria do Divino Coração (Droste): Clemens Heidenreich Droste zu Vischering (pai), Hélène von Galen (mãe), Max (irmão gêmeo) e Clemens August von Galen (primo-irmão).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1899
- Beatificação em 1975 por Paulo VI